"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O OLHAR DA MORTE



A Primeira Guerra Mundial foi um conflito fundamentalmente europeu que ocorreu entre 1914 e 1918. Guerra da eletricidade, do rádio e da morfina, ela matou milhões e mudou para sempre aquilo que seria a história do século XX. O objetivo deste artigo é discorrer sobre uma produção cinematográfica de  2002 chamada Deathwatch. Em Portugal recebeu a tradução correta, mas no Brasil foi pateticamente distribuída como Guerreiros do Inferno.
O que poderia um médico brasileiro escrever em 2011 sobre uma guerra cujo início data de quase 100 anos? Mais: por que razão o faria?
Muito mais do que a falta de formação acadêmica é a necessidade de escapar de conceitos do marxismo e da psicanálise que me preocupa e é portanto na simples condição de médico e de espírita que escrevo estas linhas.
A análise daquilo que foi a Grande Guerra não escapa, logo no início, da seguinte curiosidade: uma série de escritores, filósofos e intelectuais antes de 1914, sob certo aspecto, previram o que se aproximava (Nietzche talvez seja o maior deles) mas depois de 1945 o conflito foi praticamente esquecido. Não há aqui espaço para analisar meu interesse no assunto. A título de curiosidade fica a informação de que no Corpo Expedicionário Português, nove soldados com o sobrenome da minha família (Pires) perderam a vida na Primeira Guerra Mundial.
O Olhar da Morte transcorre durante o ano de 1917 no chamado front ocidental. O filme conta a história de um pelotão inglês - o Pelotão Y -  que avança em território inimigo e termina perdido  dentro de uma trincheira alemã. Livre de vários clichês , até porque trata-se de uma produção ânglo-germânica, a peculiaridade é que todos os soldados ingleses já estão mortos e não se deram conta disso. O personagem principal, sugestivamente um jovem recruta chamado Shakespeare, é o único a guardar algum resquício de humanidade em relação ao que que vai acontecer lá. A trincheira está cheia de corpos de soldados alemães, água, e ratos. Fenômenos sobrenaturais passam a acontecer levando os ingleses a perder a sanidade, questionando cada vez mais a disciplina, a  hierarquia e a razão de se encontrarem ali.  Passam a exercer sua crueldade com o único alemão sobrevivente que encontraram ao chegar. Este personagem, fundamental na história, fala apenas francês e o único capaz de entendê-lo é justamente o recruta Shakespeare. É impossível deixar de comparar no final (numa visão católica) este soldado alemão com o próprio demônio, mas é o desespero de todos e as atitudes cruéis que tornam difícil a analogia. Entre vários acontecimentos um chama a atenção - é localizado na trincheira um aparelho de rádio. Um dos soldados ingleses consegue ligá-lo e escuta comunicações do próprio comando britânico dando conta que todos no Pelotão Y  estão mortos. Num clima de  violência cada vez maior, os soldados passam a se agredir e a “se matar” entre si e ironicamente é o inimigo que insiste em avisá-los que algo mais está acontecendo ali. Em determinada parte do filme, o sobrevivente alemão está sendo torturado por um o inglês. Ele é salvo por Shakespeare num ato de piedade que foge de todo contexto. Entrando em uma caverna dentro da própria trincheira este último soldado inglês encontra todos os outros companheiros na escuridão e vê a si mesmo entre eles. Fica evidente que todos estão mortos mas o recruta insiste em negar o fato fugindo da caverna e encontrando na saída o alemão armado e disposto a matá-lo. Ele lembra o inimigo que antes havia salvo sua vida e portanto merecia  uma chance igual. O alemão então aponta uma escada de saída daquela trincheira e Shakespeare sobe por ela desaparecendo na neblina.
O Olhar da Morte oferece do ponto de vista espírita uma oportunidade ímpar nos filmes de guerra: entender todo o sofrimento como um teste para capacidade humana de crer na bondade do outro. A Primeira Guerra Mundial representa, como todas as guerras, a impossibilidade da razão. Não parece existir doutrina histórica ou moral capaz de explicar a redução da condição humana ao que se assiste neste drama, mas o filme sugere que as vezes podemos estar vivendo no próprio inferno sem se dar conta disso.
Mais do que uma homenagem aos soldados que morreram , o Olhar da Morte é um tributo a toda uma geração incapacitada para o amor, para o trabalho e para fé em Deus.
Perdido nas prateleiras entre o gênero guerra e terror a mensagem final desta obra rara  é que  o ser humano é capaz de obter a salvação e a liberdade  através da esperança e do perdão.

Milton Simon Pires
Médico Intensivista
Porto Alegre - RS
cardiopires

Entre Bolsa Família e Capitão Nascimento - Agonia de uma Profissão


Permitam-me os colegas fazer uso no presente artigo dos dois discursos que mais encantam o "meio intelectual brasileiro" – o marxista e o psicanalítico. Esqueçam, por alguns instantes, aquilo que ambos dizem do mérito e da caridade humanos. Espero que minhas conclusões não os choquem e sugiro ainda que, em caso de indignação, adotem como saída elegante afirmar que não gosto de ser médico; passa a impressão de profissionalismo e pena profundos de alguém como eu....

Tenho visto profissionais, às vezes de sessenta ou setenta anos, fazendo plantão nas emergências do Sistema Único de Saúde (SUS). Comem mal, não dormem (ou o fazem em quartos imundos), são ameaçados ou agredidos pelos próprios pacientes, alguns roubam medicações controladas para uso próprio,e muitos acabam como notícia no Jornal Nacional.

Seu instrumento de trabalho mais importante é um carimbo e seu chefe não é médico. Eles assistem pacientes morrerem por falta de medicamentos, leitos, cirurgias, e métodos diagnósticos. Dia após dia, independente de posição política ou tempo de formatura, são representantes legítimos de um delírio cujo início remonta a década de setenta. Naquela época, um médico brasileiro, ex-assessor  para saúde na Nicarágua, e que depois viria se eleger deputado por um partido comunista, pensou ser possível trazer à terra aquilo que nem Jesus Cristo imaginou: um sistema de saúde com livre demanda, cobertura completa de custos, e acesso imediato aos serviços. Sim, meus amigos, o Brasil deve ao Dr.Sérgio Arouca e aos seus "companheiros" o fato de homens maravilhosos como Fernandinho Beira-Mar e Marcola terem o mesmo direito a um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI)  que qualquer trabalhador. Certamente, se vivo, o Dr. Arouca ficaria exultante ao ver como nossas UTI são numerosas e estão bem equipadas.

Uma década antes, no governo Castelo Branco, o Brasil assistia ao início de uma proliferação de faculdades que nos lembra  que nem só de futebol somos campeões. Daqueles bancos saíram médicos, e continuam saindo, que vêem no futuro a possibilidade de uma prática liberal que a muito deixou de existir. A verdade é que nos tornamos empregados! O estereótipo do médico recém-formado que vai para o interior casar com a filha de um latifundiário  e depois disputar algum cargo municipal é cada vez mais difícil de ser encontrado.

Ao que nos parece, em 1964 os militares viram na  classe médica uma ameaça política e trataram de tomar providências. A primeira delas, em silêncio garantido pelas paredes da Escola Superior de Guerra, foi determinar que saúde era uma questão de segurança nacional. A segunda, bem mais simples, foi submeter os médicos a mais elementar lei de mercado: oferta e procura.

E o que houve daí em diante? Tornamo-nos muitos, empobrecemos, nos sindicalizamos, e acima de tudo passamos a crer, como bons marxistas, que tínhamos um poder de transformação social até então adormecido. Era preciso ser um trabalhador da saúde. Médicos ligados à saúde pública começaram a despontar na cena política, mas desta vez ligados aquilo que se chamava na época de esquerda.

O país assistia então ao nascimento do Partido dos Trabalhadores e quem não lutava por eleições diretas não tinha coração. Enquanto isso, em silêncio mas de forma contínua, o sistema que fazia diferença entre aqueles que trabalhavam e contribuíam ou não para os gastos com a saúde nacional extinguia-se aos poucos.

Alheios a tudo, os antigos mestres das Escolas de Medicina, consagrados pelo tempo e saber, continuavam ensinando que o importante era a relação médico-paciente, que a medicina não podia se desumanizar e conseguiram com isso contribuir para a visão maniqueísta que passou a nos dividir entre "técnicos-frios" ou preocupados "com o paciente como um todo". Orientaram nossos acadêmicos a fazer estágio nos Estados Unidos. Para lá partiram aos comboios, quase sempre financiados pelos pais, lembrando os adolescentes brasileiros que visitam a Disneylandia.
Mas a mim me parece que o sonho está acabando. Voltamos de lá e estamos de plantão. O que poderia ter saído errado? Nossos pacientes já não nos respeitam e querem apenas atendimento de graça. Não nos esqueçamos dos famosos exames – quem não os pede não pode ser bom médico!

Será generalizada entre os colegas esta minha sensação? Medicação antidepressiva, menos trabalho e um salário melhor não resolveriam meu caso? Estas respostas ficam por conta de quem até aqui gastou seu tempo a me ler.

Uma vez Freud escreveu que a capacidade do indivíduo ser feliz está relacionada à realização no amor e no trabalho. Da vida pessoal de meus colegas pouco sei, mas tenho visto em pequenas salas (chamadas pelos otimistas de estar médico), em que se toma cafezinho frio, uma verdadeira legião de gente triste.
Isso mesmo, meus colegas, tristes é como estamos em função do que fazemos para sustentar nossas famílias. Aos dezoito anos de idade, com todas as alegrias desta época da vida, estávamos, muitos de nós, em frente a cadáveres. Quantas noites sem dormir por causa dos exames da faculdade? E o que dizer então da disputa por uma vaga na residência?
Somos médicos, mas antes de tudo somos humanos e é nesta última condição que a natureza e a doença vem cobrar seu preço. Aumenta cada vez mais o número de colegas com problemas por causa do álcool e das drogas. Patologias mentais entre nós avançam em número e gravidade. Frieza, discussões, insensibilidade com a dor, e raiva das queixas frívolas dos nossos pacientes são cada vez mais comuns nas emergências em que trabalhamos com condições quase veterinárias.
Pobre do país cujos médicos estão doentes! Era neles que se depositava a esperança de alívio de um povo que agora percebe que ele, povo, cuidou muito mal dos seus próprios médicos. Estamos pedindo socorro a pessoas comuns, sem treinamento, mas nem por isso sem coração e vontade de ajudar. Alguém há que nos possa e queira ajudar?
Uma vez aquele que foi considerado o maior escritor de todos os tempos – James Joyce – disse que achava impossível escrever sem ofender as pessoas. Termino aqui.Longe de mim ofendê-los por mais tempo ou ter a audácia de pensar que Joyce pudesse estar errado.

Milton Pires
Médico em Porto Alegre
RS

A Questão da Verdade e a Obsessão pelo Consenso - Ensaio sobre o Declínio da Razão


Há muito tempo atrás li que a característica da verdadeira arte é “transcender o seu tempo”. Tenho certeza que não entendi a afirmação e lembro que não havia, antes ou depois dela, qualquer definição geral do conceito de arte e muito menos de tempo. Sem nenhuma qualificação formal em filosofia é portanto  um atrevimento o que pretendo sustentar no início deste  artigo – a ideia, evidentemente nada original, de que as grandes questões do entendimento humano são comuns à arte e a filosofia. Mesmo sendo um clichê, permitam que eu escreva  que Brahms, Thomas Mann, Kant, Monet e tantos outros usaram  formas diferentes de expressão para abordar nosso desespero perante a morte, a indagação do que é o belo, qual a melhor maneira de viver uma vida justa e alguns acrescentariam  "e perfeita",  o que são o mal, o tempo, o amor, a verdade....e assim por diante.

Na minha profissão e especialidade é possível curar algumas vezes, aliviar com frequência e consolar quase sempre. Um médico intensivista, com pretensões de “filósofo”, deveria portanto escrever sobre o tema da morte. Ainda assim não é a morte o enfoque deste texto. Eu gostaria de discorrer sobre a questão da verdade.
É possível, em filosofia, distinguir cinco conceitos fundamentais de verdade – como correspondência, revelação, conformidade com uma regra,  coerência,  ou  utilidade. Assim, Kant afirmava que a verdade é a concordância da razão com seu objeto. Moisés teve a verdade revelada por Deus, nossos juízes sabiam  que a verdade deve estar em conformidade com a lei,  Maquiavel sustentou que os fins justificavam os meios e Deng Xiaoping (antecipando Lula) afirmava que na verdade não importa se o gato é branco ou preto desde que ele mate os ratos. Embora pueris, são alguns exemplos das maneiras  (algumas delas catastróficas) de entender o que seria a verdade.
Em 1987, Allan Bloom em The Closing of the American Mind, afirmou (para desgosto da New Left Americana) que “há uma coisa que todo professor pode ter certeza absoluta: quase todos os estudantes que entram para a Universidade acreditam, ou dizem que acreditam, que a verdade é relativa” O objetivo de seu livro era mostrar como a democracia ocidental acolheu inconscientemente ideias vulgarizadas de niilismo, desespero, e de  relativismo disfarçado de tolerância. Seguindo uma tradição filosófica que entende a história como ciência exata substituímos razão pelo consenso e acabamos com toda possibilidade de revelação na busca pela verdade. Partindo do materialismo histórico, concluímos que a verdade pode ser construída, que a ferramenta é a democracia e o mestre de obras é o Estado. Neste sentido, desde Hegel até Hitler o que assistimos foi o ocaso do indivíduo, a diluição do ser humano na multidão e aquilo que ouso chamar de patologia do tempo - uma espécie de doença onde não há mais passado nem futuro  e portanto  não há lugar algum para Deus nem para Razão (a Razão como processo fundamenta-se em  causa e efeito e portanto transcorre no tempo).
Assim sendo, não  foi a toa que em 1926 Ortega y Gasset afirmou que “dentro de pouco tempo se ouvirá um grito formidável que se elevará do planeta como uivos de inumeráveis cães, até as estrelas, pedindo alguém e algo que mande, que imponha uma tarefa ou alguma obrigação". Tomando o lugar da verdade revelada, a obsessão pelo consenso construído  liquidou com a noção de mérito. Não podemos portanto afirmar “ nascer, morrer renascer ainda e progredir sempre - tal é a lei”  e não podemos fazê-lo não por que não acreditamos na lei da reencarnação, mas por que não acreditamos mais  em lei alguma!
O legado final, e verdadeira desgraça do materialismo, não foi a extinção da religião ou de um conceito “social” de Deus. Mesmo Antônio Gramsci sabia que o Estado não pode substituir a consciência do indivíduo, mas ao confundir verdade com consenso destruímos  para sempre a noção de que a  caridade é feita em silêncio e que fora dela não há salvação.

                                                                                                                 Porto Alegre, junho de 2011

Milton Simon Pires
Médico Intensivista
Porto Alegre - RS
cardiopires

O SILÊNCIO DO ABISMO


Muito já foi escrito sobre o poder e a sua justificativa. História, filosofia, direito e sociologia vem abordando o tema há séculos e sou daqueles que acreditam que depois de Hannah Arendt e Bertrand de Jouvenel, muito pouco resta a ser dito. O que poderia um simples médico acrescentar sobre o assunto? Talvez um médico de Porto Alegre devesse escrever sobre o fim do poder de sua classe e denunciar os políticos semianalfabetos e administradores corruptos que tomam decisões de vida ou morte dentro de hospitais superlotados, mas não é este o meu objetivo aqui. Não vou perder tempo denunciando gente que pensa que o “fígado fica do lado esquerdo do abdômen” ou que a “veia aorta é a mais importante do pescoço”. O lugar destas pessoas é em Brasília....  O objetivo deste artigo é sustentar que o verdadeiro poder “total” é resultado não daquilo que ele (poder) faz ou diz, mas daquilo que ele não faz e não diz.

Entre 1964 e 1985 o Brasil viveu um período em que as pessoas eram presas, torturadas, desapareciam...enfim sofriam na pele as consequências de uma ditadura militar. Não há dúvida da força daquele regime e do seu controle sobre a vida privada do cidadão, mas mesmo assim eu sustento que aquele não era um poder total. Tenho, nas minhas recordações de infância, a lembrança do Jornal Nacional entrando no ar todas as noites as 20 horas. Inúmeras foram as vezes que eu assisti um general, brigadeiro, ou almirante dando explicações sobre a situação política do país e justificando medidas de força. Isto mesmo, a ditadura se justificava! Simples ou complexas, verdadeiras ou falsas, com repercussão ou sem, sempre havia explicações sobre a inflação, prisões, atos institucionais... Havia a Revista Cruzeiro, a Manchete, gente como Chico, Caetano, Gil,  e jornalistas como Vladimir Herzog que cobravam e estimulavam toda  uma sociedade a buscar explicações. Daí decorre que por mais cruel que fosse, o poder nunca foi total. Sua capacidade de se justificar se esgotou e ele chegou ao seu fim.
Entre 1985 e hoje decorreram 26 anos. O que aconteceu neste meio tempo? Colégios particulares (com mensalidade cara) em Porto Alegre, têm cocaína oferecida para os estudantes quase em suas portas. Nossas filhas apreendem (as vezes com 3 anos de idade) a “dança da garrafa”. Nossos filhos tem que aceitar a ideia de  que ser homossexual é uma opção, que Deus não existe, que de fato vagas para afrodescendentes são justas, que a Terra está aquecendo e que jamais deverá ser cobrado qualquer tipo de atendimento médico no sistema público.
Sem entrar no mérito destas questões, faço apenas uma observação - não é mais possível discordar destas ideias sem ser considerado um reacionário ou ser acusado de querer a ditadura de volta. Este é na minha opinião o verdadeiro poder total. Um poder que não precisa mais justificativa  por que já não tem mais adversários que possam ser levados a sério. O poder aprendeu com Hannah Arendt que seu maior inimigo é o deboche e sua maior arma a risada. Ele próprio  passou a ridicularizar seus adversários como sendo anacrônicos usando categorias do pensamente invariavelmente ligadas ao marxismo ou a psicanálise. O poder sustenta que, sendo democrático, sempre se justifica. A ética parece ter se tornado, como diria Jorge Luís Borges, um ramo da estatística. Não contestamos mais o poder do Estado já que este parece ser definitivamente o melhor Estado possível e, como eu escrevi em outro texto,  substituímos verdade por consenso. O sonho, segundo o poder não acabou, ele se realizou através da democracia.
Todas estas transformações vem ocorrendo de forma lenta,  irreversível e, acreditem ou não, planejada.  A sociedade inteira parece vítima de uma paralisia moral e é impossível deixar de lembrar Maquiavel com seu  aviso: quando as coisas mais graves são percebidas pelas pessoas mais simples, já é tarde demais.
Sobre tudo que escrevi aqui decorre uma conclusão que me parece inevitável: ou não é verdade e vai ser  (publicado ou não)  esquecido; ou é verdade, e neste caso caminhamos todos nós rumo ao abismo..um abismo sem algemas, torturas, prisões ou desaparecimentos. Um abismo sem censura, mas preenchido pelo mais angustiante, absoluto, covarde,  e devastador silêncio.
                                                                                     
 Para o pai,
                                                                               setembro de 2011.
                 

O Diabo tomando Prozac - Ensaio sobre o Fim da Cultura


O presente artigo parte da premissa de que, em toda História da civilização, jamais houve verdadeiramente uma cultura que aceitasse completamente a responsabilidade de seus próprios atos. Sustenta ainda a idéia de que  a alteridade do mal, ou seja, sua condição de força com vida própria e alheia à vontade humana foi sempre uma necessidade em todas as épocas.

O estudo comparado das religiões não deixa de se  mostrar irônico no sentido de que, se o Bem e os deuses responsáveis pela sua  existência tem características tão distintas,  o Mal nos parece ser o resultado da ação  de um Diabo que costuma se repetir muito, ainda que com "excelentes" resultados. Seria falta de imaginação da parte dos criadores das teogonias ou é verdade que o Diabo sempre vai ser o maior inimigo de Sartre? Para quem não lembra, esse talvez tenha sido o filósofo da "responsabilidade" - alguém que sempre vai nos chamar para assumir as  consequências das nossas ações e lembrar  que estamos "condenados a ser livres" para escolher o nosso destino. É impossível imaginar um papel para o Diabo quando se pensa como um existencialista porque Lúcifer, não tenho dúvida, tem como função negar a liberdade humana. Aqueles que acreditam em possessão demoníaca e exorcismo (não interessa em que tempo ou lugar) não deixam de repetir Rosseau e o seu "bom selvagem" porque não parece diferente dizer que o homem nasce bom e a sociedade o corrompe do que afirmar que ele é bom; mas o Demônio o possuiu. O que existe em comum nos dois casos é, como eu escrevi no início, a idéia de alteridade, a noção do outro, do objeto externo e da inocência a priori da qual resultará sempre a possibilidade de se redimir e, como gosta de lembrar Luc Ferri, de obter a Salvação - eterna busca do homem e espécie de "primeiro-motor" da filosofia.
O que eu me pergunto às vezes é - que papel pode existir para o Demônio em uma sociedade que não sente mais culpa? Heresia para qualquer discípulo de Freud, essa idéia parece de início um absurdo - "Não há cultura sem Repressão" está muito próximo de "Não há cultura sem Culpa" mas mesmo assim eu gostaria de insistir na hipótese e imaginar um "mundo sem remorsos”...um mundo de Auschwitz, de Pol Pot e do seu Camboja, um mundo de fanatismo com Hitler e Stalin..um mundo assustador e antecipado por Dostoiévski em "Os Demônios"...enfim..um mundo onde a palavra "culpa" já não tem mais significado porque nele  impera a ausência de sentido e não se sabe mais o que é o Bem e o Mal..
Eu acho deprimente pensar o mundo assim, mas imagine-se por um momento no papel de "Diabo"..Um Diabo nesse mundo não passaria de um "pobre diabo"..um diabo com "d" minúsculo que não sabe mais ao que veio, já que não tem mais nada para fazer aqui..
Dormindo mal, bebendo, sentindo-se inútil..esse Diabo pós-moderno vai acabar usando Prozac porque a questão do sentido obrigatoriamente permeia toda ação seja ela humana, divina ou "diabólica" e a depressão adquire aí um caráter quase "sobrenatural"...rsss
Espero, para terminar com mais esperança, que o próprio conceito de Cultura não dependa de tanto maniqueísmo...Bem, Mal, Deus, Diabo...quem sabe a Civilização sempre vai estar aí e essas forças estão dentro de nós mesmos? Quem sabe não há sentido algum a ser buscado como querem os teóricos da Desconstrução..ou quem sabe busca e destino são uma coisa só como querem os budistas? Não sei, mas de uma coisa tenho certeza - até uma certa época da nossa História, de certa maneira, sempre houve um sentido..Agora não parece haver mais e acho difícil que torne a haver enquanto não percebermos que quem morreu foi Nietzsche; não Deus..e que não há espaço para diabo algum quando é Ele que está dentro de nós.

                                                     para Eunice.

                                                                                                                                                         julho de 2012
cardiopires

Brasil Ano Zero - A Nova Esquerda Reescrevendo a História



O presente artigo tem por alvo uma análise do Poder na realidade nacional a partir de conceitos utilizados pela chamada Nova Esquerda. Busca em primeiro momento situar na história a expressão Ano Zero mostrando qual seria a sua suposta origem na França e depois sua apropriação pela ditadura genocida de Pol Pot no Camboja do Khmer Vermelho. Antes de tudo algumas observações iniciais.
Independente do lugar ou da época é muito difícil negar que qualquer revolução tenha sido uma luta por conquistas materiais.
Terras, armas,dinheiro,fábricas..pouco importa o grau de idealismo envolvido. Desde os escravos romanos até os estudantes chineses, a luta armada foi
sempre o método para realizar aqui na terra o que a religião prometia no céu e só se podia considerar vencedora uma revolução com resultados práticos. Metas precisavam ser alcançadas muito mais rapidamente que os "corações e mentes" dos quais o General Westmoreland sentiu tanto a falta durante a Guerra do Vietnã. Num sentido muito real, talvez o fracasso de todas as revoluções até hoje tenha sido causado exatamente por esse paradoxo - pessoas que tinham condição para mudar o mundo não acreditavam que podiam fazê-lo enquanto aqueles que não tinham meio algum para tanto eram os mais aguerridos combatentes.
Eu acredito, de uma maneira geral, que a história muitas vezes foi assim mas,
como todo regra tem exceção, gostaria aqui de escrever sobre algumas.
Publicado pela primeira em 1848 e hoje disponível mais nos "saldos" dos sebos do que em qualquer livraria de qualidade, o Manifesto Comunista deixou uma mensagem (talvez a única entre tanta bobagem) que haveria de trazer consequências. "Somos o que produzimos" afirmava o “filósofo” que, mesmo sem falar com a língua presa e tendo dez dedos nas mãos, foi sempre sustentado por amigos. Nenhum de seus seguidores quis questioná-lo, com exceção de um obscuro fundador do Partido Comunista Italiano. Mais preocupado com a
educação de operários do que com as armas, seu nome era Antônio Gramsci.
É sobre essa personagem obscura da história do marxismo que devemos pensar quando queremos abordar o tema da Nova Esquerda, do Ano Zero, da Revolução Cultural, e de tudo que está acontecendo agora no Brasil. Não pretendo aqui me prolongar a respeito dele. Basta que se entenda uma coisa - Gramsci foi o primeiro a compreender o papel da cultura no processo da revolução. Ele seguiu e "superou" Marx mostrando que antes de tudo cabe ao partido controlar o que as pessoas pensam e não quantas fábricas, hectares de terra ou dinheiro no banco elas tem ! Antes que Hanah Arendt afirmasse que "poder é a capacidade de
gerar consenso" ele percebeu a importância dos chamados "intelectuais orgânicos" no processo revolucionário. Preso (graças a Deus) por Mussolini, morreu de tuberculose mas plantou a semente da celebrada "Geração de 1968". Os historiadores, filósofos, sociólogos, psicólogos, pedagogos que constituíram este grupo foram liderados por um alemão chamado Hebert Marcuse. Agrupados em torno do núcleo universitário de Frankfurt eles compuseram aquela que depois seria conhecida como "Nova Esquerda" e pela primeira, desde que Stalin
assaltava bancos e Mao Tse Tung financiava a revolução com dinheiro do ópio, reconheceram o "papel transformador da realidade" que os "marginalizados" podem ter no processo revolucionário. É com muito orgulho que vários deles, que sobreviveram ao uso frenético da maconha e do LSD, hoje constituem a "elite da universidade brasileira". A expressão Ano Zero passou a ser usada com mais frequência a partir da Revolução Francesa. Ela entra no vocabulário político como sinônimo de "mundo novo", "nova ordem", ou "nova realidade" após um episódio da história que cortou a cabeça de um rei, mas não mudou em nada a de um povo que teve na Restauração e em Napoleão a prova disso. Esquecida através do século XX, foi ressuscitada em 1975 por um estudante que chegou a trabalhar como garçom nos cafés de Paris - o cambojano Saloth Sar - que entrou para história como Pol Pot. Responsável pelo assassinato de cerca de 25% da população total do Camboja, Pot, mesmo emulando Hitler e Stalin, financiado e armado por Mao talvez tenha sido o primeiro a colocar em prática a idéia do Ano Zero. Matou médicos, professores, advogados, engenheiros..proibiu o uso do dinheiro e mesmo da linguagem escrita. Tinha por objetivo fazer o Camboja voltar no tempo e retornar a uma sociedade que existiu no sudeste da Ásia em meados do século XIV. Ao contrário de Gramsci, que queria controlar a Itália através da alfabetização de adultos em aulas noturnas e assim submetê-los voluntariamente ao partido, Pol Pot tinha outra estratégia...controlar as crianças órfãs após 1975. Ele não criou nenhuma ONG, não distribuiu kit gay nas escolas, não retirou crucifixos de tribunais ou proibiu palmadas - matou os pais e deixou os filhos, às vezes de 8 ou 10 anos de idade, com um fuzil AK-47 na mão e uma vida
vazia de qualquer significado – era o Khmer Vermelho que dizia qual o motivo para as pessoas viverem.
Quem me leu até aqui pode pensar que tudo isso é "passado"...que a revolução só se faz com sangue e que o Camboja fica muito longe. Minha resposta é a seguinte - uma revolução marxista não se faz obrigatoriamente com armas, mortes, torturas ou mesmo a violência de qualquer tipo - se faz criando aquilo que ouso chamar de "vazio histórico" - o verdadeiro Ano Zero – o Novo Mundo Sem Medo de Ser Feliz.
O Ano Zero só pode vir quando essa verdadeira ralé que chegou ao poder onseguir
reescrever o passado..mudar completamente a verdade do que aconteceu entre 1964 e 1985, destruir todos os valores da família, da honra, do mérito..humilhar as Forças Armadas e levar a Igreja ao ridículo total. Mesmo com seus pais ainda vivos, toda uma geração vai perder a noção de sentido e aceitar tranquilamente um Brasil governado pelo Partido dos Traficantes.
É em direção a este verdadeiro abismo que todos nós caminhamos..um abismo sem campos de concentração, sem mortes e sem torturas..um abismo sem guerra civil e sem "luta armada" mas preenchido pelo mais absoluto, covarde e devastador silêncio de uma nação.

17 de julho de 2012.

A Doutrina Espírita e o Conceito de Tempo - Uma Revolução em Silêncio


De que modo existem aqueles dois tempos - o passado e o futuro - se o passado já não existe e o futuro ainda não veio? Quanto ao presente, se fosse sempre presente e não passasse para o pretérito, já não seria tempo, mas eternidade ! Foi dessa maneira devastadora para todos os filósofos e que até hoje não teve contestação à altura que Santo Agostinho, no Livro XI de Confissões, nos colocou o problema de definir o que é o tempo. O presente artigo tem por objetivo apresentar algumas considerações a respeito desse problema fundamental para Filosofia e as oportunidades e desafios que o Espiritismo nos oferece ao abordá-lo. Cada vez que nos perguntamos o que vem a ser exatamente o tempo ficamosimpressionados - a quantidade de respostas é inversamente proporcional a capacidade de esclarecimento. Desde as condições meteorológicas até o processo de envelhecimento, passando pelas piadas daqueles que nos mostram seus relógios, as pessoas nos dão longas explicações que a rigor não tem significado algum. Mais do que isso, nos impressionamos com a convicção de respostas que frequentemente apelam para noção de "senso comum" e que demonstram aquela que talvez seja a única verdade sobre a questão - também estabelecida pelo bispo de Hipona - se nos perguntam o que é o tempo, sabemos; se tivermos que explicar o que é, já não sabemos.É a partir deste ponto que eu gostaria de começar este breve exercício de entendimento. O conceito de tempo como uma espécie de "ordem interna" do processo racional foi magistralmente tratado por Kant em sua Crítica da Razão Pura. Na parte que toca à Estética Transcendental, parece ser evidente que a simples noção daquilo que venha a ser o tempo prescinde de uma experiência prévia e ele é definido como uma espécie de "verdade intuída". Sem ser um filósofo profissional e muito menos ter a certeza de ter compreendido bem um livro como esse, me parece que o tempo funciona como uma espécie de "pano de fundo" para um teatro em que o ator principal é a nossa própria razão. Parto aqui da idéia de que, tudo aquilo que entendemos como racional precisa ser entendido no tempo e não a partir dele. Tudo que nos cerca nos parece passível de ser analisado racionalmente à medida que estabelecemos relações de causa e efeito entre os fenômenos que observamos. Sem a noção de antes e depois não é, ao meu ver, possível ser racional em sentido algum. A verdadeira revolução que a Doutrina Espírita coloca para esse problema (definição do que é o tempo) é a idéia da reencarnação. Toda nossa vida é pautada pela idéia de finitude. Aceitando ou não, todos nós sabemos que um dia vamos morrer e o universo moral em que vivemos tem seus conceitos inevitavelmente fundado nisso. Nossa espécie construiu seus ideaIs de beleza, amor, verdade, e acima de tudo justiça em função de sermos mortais. Extrapolamos nossas noções de certo ou errado conforme o tempo em que estivemos aqui. Conversando com amigos ou simples conhecidos nos surpreendemos às vezes dizendo de forma amarga - Não há justiça nesse mundo. Veja o exemplo de "fulano" que trabalhou toda vida, nunca fez mal a ninguém, sofreu como um cão e morreu na miséria. Não é fácil ser filósofo num momento assim, mas num exercício muito rápido é possível ver que toda essa "verdade" exposta de maneira tão cruel depende de aceitar como resolvido um problema que não está nem próximo disso. Se não; vejamos: como posso dizer que não há justiça nesta vida quando não sei exatamente o que é tempo? Se a própria noção geral do que é justiça depende unicamente da minha vida aqui nessa terra e que essa vida é a única que eu tenho, como posso aceitar um Deus que me faz nascer, morrer, e viver na mais perfeita injustiça? Coloca-se aí o problema de que se Deus existe ele não é justo, mas se ele não é justo; então não é Deus. A revolução a que faço referência no título deste trabalho é o advento da noção de reencarnação. Resgatado e codificado de forma tão brilhante por Kardec ela não é nova na história humana pois a necessidade que todos nós temos de dar um sentido ao sofrimento e entender aquilo que vivemos é anterior ao Espiritismo. Iluminados pela mensagem deixada por Cristo que tem como fundamento o princípio filosófico de que o fim do corpo não é o do espírito, temos na idéia de reencarnação toda uma verdadeira "revolução" naquilo que entendemos como justiça. Este é o fato fundamental pois eu afirmo que todo ser humano, acreditando ou não em Deus, sabendo ou não o que é o tempo, está, como diria Sartre, "condenado a ser livre" e para isso (acréscimo meu) a buscar aquilo que pensa ser justo "Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei" é o lema desta revolução que se fez em silêncio, que mudou o que pensamos sobre o que é a justiça e o que é o tempo e nos mostra, de maneira quase geométrica, que fora da caridade não há salvação.

20 de julho de 2012

Dr.Milton Simon Pires.
CREMERS 20958
Porto Alegre - RS
cardiopires

A MAÇONARIA À BEIRA DO ABISMO


"Escreve, pois, as coisas que viste, e as que são,e as que hão de acontecer depois destas."

(Apocalipse 1:19)

Perdoem-me, meus irmãos, pelo titulo assustador do artigo. É que escrevo com sede de lucidez e afogado em desespero.  Não tenham a meu respeito àquela opinião do aprendiz que desbasta a pedra bruta com maço e cinzel recicláveis, daquele companheiro com estrela no peito e daquele mestre que “não tem medo de ser feliz” . Peço a vocês alguns instantes de paciência e atenção. Lembrem-se por favor daquele pobre carpinteiro judeu, ele mesmo ao meu ver  um grande maçom, que viveu e morreu na pobreza mas a quem Roma nunca concedeu bolsa família. Recordem-se de que ele não precisou fraudar concurso para entrar no Reino de seu Pai e que, ao ser crucificado ao lado de ladrões, não tinha a seu favor nenhum juiz do Supremo Tribunal.
Meus irmãos, desculpem o jogo de palavras, mas me parece que nada pode ser mais politicamente incorreto do que se discutir  política na sociedade de hoje. Nem precisamos nos preocupar com nossos landmarks que nos proíbem de fazê-lo em loja porque vivemos numa espécie de grande Facebook em que suscitar polêmicas é de mau gosto. Ironicamente  a democracia, levada ao seu grau mais extremo de corrupção, fez com que todos nos calássemos sem necessidade de ameças ou golpes militares.
De pé e a ordem pois,  para ouvirem aqui as razões de tal situação. Não vou usar de meias palavras para dizer a vocês que homens e mulheres, verdadeiros marginais do poder como disse o ministro Celso de Melo, tomaram o Estado brasileiro. Assediaram a República, prostituíram-na, mancharam-lhe a honra e a dignidade de uma maneira que não encontra precedente em nossa história. É aterrador o efeito causado pela revelação daquilo que fizeram com o dinheiro público e com a boa fé do nosso povo, mas permitam-me  alertá-los que mais grave é aquilo que não se enxerga. Usemos um computador como comparação: nos encantamos ou decepcionamos com o aspecto externo de uma máquina mas não nos lembramos de perguntar que programa ela roda. É assim meus irmãos que devemos abordar aquilo que está acontecendo hoje . É necessário um exercício de abstração para esquecer da compra de deputados, das licitações fraudadas e dos dólares remetidos para o exterior. Não...não é esse o tema aqui. Aqui quero  lembrar da nossa  Universidade Publica a serviço de um partido que quer nos transformar em uma pequena China ou numa grande Cuba, das nossas Forças Armadas com “dobradiça na espinha” e de uma Igreja que descobriu  que “Templo é Dinheiro”. Este verdadeiro “software do mal” é capaz de convencer pessoas com terceiro grau completo de  que Ivete Sangalo tem o mesmo valor que Mozart, de que Paulo Coelho é igual a James Joyce, e de que Lula é o novo Getúlio Vargas. São desses conceitos que devemos nos livrar pois o futuro da nossa ordem há de trilhar o caminho do ridículo se  aceitarmos  na Maçonaria a ordem democrática que se instituiu no país.
Meus irmãos, já basta de tanta ironia e meias palavras! Imperam no Brasil um relativismo de valores e uma desordem institucional tais que, não há mais religião, crença ou força armada  capaz de fazer frente a Revolução Cultural que se estabeleceu. Vivemos na Maçonaria um momento crucial em que o que está em jogo é a sua própria sobrevivência. Desapareceu , em toda sociedade brasileira, espaço para os conceitos de mérito, hierarquia e disciplina em que, sem dúvida alguma, se fundamentam vários dos nossos princípios. Não devemos ter constrangimento algum de dizer que a Maçonaria não nasceu como instituição democrática, que a entrada e progressão nas nossas fileiras se faz em primeiro lugar por mérito e só depois por votação entre iguais, e que não estamos a serviço de partido algum ! Não me acusem, irmãos,  de golpismo,  de atentar contra o Estado de Direito ou de querer derrubar a República. Meu interesse aqui não é mudar o Brasil, mas impedir que o Brasil do PT mude a Maçonaria. Não me tomem por um paranóico que acredita que seremos perseguidos por tiranos como fizeram Francisco Franco ou  Adolf Hitler. Não meus irmãos, ninguém vai fechar nossas  lojas, proibir nossos ágapes  ou mesmo  criticar abertamente. Seremos destruídos de dentro para fora e não de fora para dentro. Está próximo o dia em que algum irmão vai proclamar o nascimento de uma “Maçonaria sem Preconceitos”, de cotas raciais para entrada na Ordem, de sessões transmitidas ao vivo pela TV ou pela Internet (para que o “povo” possa saber o que fazemos) ou até de concurso publico para ser maçom. Também não está longe o tempo em que teremos que aceitar irmãos abertamente ateus ou ativistas de Organizações não Governamentais para quem nós, maçons, não passamos de “dinossauros”. A serviço do seu  partido esse tipo de gente vai sustentar que é uma sociedade democrática que faz as instituições fortes quando na verdade são as instituições fortes que garantem a democracia de uma sociedade.
Quero terminar com um apelo e um alerta  a todos os maçons brasileiros esperando sinceramente estar errado em minhas conclusões: a Ordem Maçônica nasceu, antes de tudo, para ser uma escola de livre pensamento. É  essa a nossa contribuição para história e o legado deixado pelos nossos antepassados. Não há relato prévio de nenhum estado totalitário capaz de conviver com esse tipo de princípio. Sejamos rigorosos em nossas sindicâncias com relação a filiação política de certos candidatos. Não tenhamos constrangimento em dizer-lhes que não são bem vindos porque seu partido entregou o país ao narcotráfico, ao ateísmo e à apologia do casamento gay.
Rogo à todas as potências que manifestem-se, em seu grau supremo, e  abertamente através das publicações de grande circulação a respeito do resultado da Ação Penal  470 que tramita atualmente no Supremo Tribunal Federal. Proponho ainda que todo irmão filiado à organização criminosa que atende pelo nome de Partido dos Trabalhadores seja submetido a processo disciplinar e afastado de nossas  lojas. Lembrem-se sempre que seja  em nome do aquecimento global, dos direitos dos homossexuais ou até mesmo das focas do Alasca (já que o motivo não tem a menor importância) aproxima-se o momento em a Maçonaria vai ser levada a público através de uma   imprensa corrupta e com ajuda de maçons-petistas com o objetivo de ser exposta a todo tipo de acusação absurda.
Que Deus nos ajude, meus irmãos, na batalha que se aproxima.

Muito obrigado !

Porto Alegre, 7 de dezembro de 2012.
cardiopires
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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

AQUI, RÁDIO PEQUIM !


Nas décadas de 70 e 80 muito pouco se falava sobre  computadores pessoais no Brasil. Os equipamentos custavam caro, tinham utilidades muito específicas e estavam longe se tornarem algo a ser usado diariamente. Internet era um conceito completamente estranho às pessoas que usavam "coisas" como TK-85, TK-90X, e Exato-pró. Ninguém imaginava,nem de longe, a utilidade da web nos dias de hoje. Após a revolução de 1964, muitas informações só eram acessíveis  àqueles adeptos (como foi o meu caso) do radioamadorismo e da escuta de transmissões em ondas curtas. Rádio Moscou, Rádio Pequim, Rádio França, Voz da Alemanha e tantas outras, traziam para nossa casa informações impossíveis de se adquirir no dia a dia ou no apertar de uma tecla. Hoje, várias destas emissoras encerraram os seus programas dirigidos ao exterior. Ninguém mais precisa ficar com fones de ouvido e, entre tantas interferências e ruídos, fazer força para escutar num Transglobe Philco ou num Delta DBR 5500,  uma rádio que  transmite do outro lado do mundo. Apesar disso, algo insólito ocorreu: Ao mesmo tempo que  a informação se tornou cada vez mais acessível e a sua transmissão mais rápida, sua qualidade praticamente sumiu. É fantástico, e ao mesmo tempo deprimente, abrir páginas e mais páginas da internet e observar sempre o mesmo tipo de bobagem sendo veiculada. O nascimento de um filhote de foca em algum zoológico, alguma celebridade nacional grávida, e notícias e mais notícias sobre a histeria do  aquecimento global. Apesar disso, recentemente um fenômeno vem me chamando à atenção: são os blogs e as mensagens pelo twitter. É estranho, para alguém que já passou dos quarenta, ter novamente aquela sensação de radioamador quando se liga no que está sendo escrito ali. É como se os blogueiros e os usuários do twitter estivessem imunes a essa espécie de grande Facebook que se tornaram o New York Times, Folha de São Paulo, Zero Hora e tantos outros "veículos" de comunicação que caracterizam a "imprensa amiga". A imprensa amiga é uma especie de "jabuticaba jornalistica" - algo que só existe no Brasil. São dezenas, centenas de "jornalistas com responsabilidade social" engajados na difícil tarefa de não transmitir rigorosamente nada. São pessoas que, por alguma operação psicológica desconhecida, fazem uma força imensa para permanecerem radicalmente em cima do muro. Além das enormes matérias sobre aquecimento global e casamento gay, um "jornalista engajado" adora matérias sobre ciclistas ou cadelas que amamentaram filhotes da gato,  sendo capaz de escrever cadernos inteiros na edição do final de semana do seu jornal.
Mesmo sem ter formação alguma em jornalismo sustento que a parte mais importante de um jornal é o editorial. É ali que o leitor percebe  a chamada "linha do jornal" e se identifica, ou não, com sua posição política. No Brasil de hoje, um jornal com posição política clara é algo que deixou de existir. Todos os periódicos (sem exceção) quando querem se manifestar através de editorias recorrem a um grupo seleto de intelectuais, invariavelmente ligados ao Grande Centro Acadêmico Petista que se tornou a Universidade Brasileira. O que sai da caneta desta gente é sempre a mesma coisa: uma apoteose de relativismo moral formada por uma mistura tupiniquim de marxismo, psicanálise e tolerância religiosa de fundo ateísta. A primeira analogia que me ocorre, quando penso no conteúdo intelectual destas matérias, são aquelas geleias coloridas que as crianças ganham de presente e brincam de atirar na parede. É assim que um "artigo" sobre desarmamento, eutanásia ou pena de morte, uma vez publicado no editorial de algum grande jornal brasileiro é capaz de "agradar a dois Josés" - o Sarney e o Dirceu. Ah.. quanta hipocrisia, quanto cinismo, que esforço fantástico para não parecer retrógrado, preconceituoso, racista, homofóbico, xenófobo, maquiavélico, direitista, conservador, fanático religioso, machista, separatista, e por aí vai..a lista de fobias do jornalismo brasileiro é capaz de gerar um tratado de psiquiatria! Mas o mais impressionante é o seguinte - tudo isto isto sem censura oficial ! Não meus amigos,  é algo pior - é a autocensura! Essa não precisa de caneta vermelha ou  de matérias vetadas voltando para redação. Ela é mais eficaz por que se faz sem sentir através da verdadeira geração de anencéfalos que são os novos jornalistas brasileiros. Eles representam a prova de que a Revolução Cultural venceu no Brasil. Antes do PT tínhamos uma universidade em que as pessoas entravam com valores semelhantes e saíam de lá com ideias diferentes. Hoje, e as faculdades de jornalismo são a prova disso, os futuros formadores da opinião pública entram nos bancos universitários com princípios diferentes, e saem de lá pensando todos a mesma coisa. Foi isso que a petralhada lulo petista conseguiu fazer com a nossa imprensa: transformá-la em algo apático, inútil e a serviço de um partido corrupto que aprendeu a vencer sem disparar um tiro ou gastar um tostão.
Termino aqui, mas as minhas ilusões ainda não estão perdidas. Tenho  esperança de que um dia tenhamos uma praça chamada Otto Maria Carpeuax, um largo Paulo Francis, uma avenida Olavo de Carvalho ou um viaduto Reinaldo Azevedo..sei lá. Sinto saudade até de escutar um velho "Aqui,  Rádio Pequim" e saber, afinal de contas, o que pensavam aquelas pessoas lá do outro do mundo, mas esse tempo das certezas já se foi e se alguém quiser criticar ou elogiar estas linhas, não vai ter um trabalho maior que clicar "curtiu" ou "não curtiu"...rss

Muito obrigado!

Porto Alegre, 26 de dezembro de 2012

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Entre Imelda Marcos e Joseph Stalin - Dano e Reparação


Um dos meus passatempos prediletos, para espanto da minha  família, é ler sobre a vida dos grandes tiranos. Aprendi muito sobre história, filosofia, e religião – isto para não falar em política – lendo sobre as crueldades, delírios e obsessões de gente como Mao Tse Tung, Lenin, Fidel Castro, Hitler e por aí vai..... Mesmo atuando numa especialidade médica muito distante da psiquiatria, eu sempre achei fantástico ter acesso aos hábitos, paixões e gostos desse tipo de gente. Acredito na máxima de  “conhecer um homem através do seus detalhes” e, mais do que isso, encontrei nestes relatos uma alternativa à hipótese (ela em si mesma fruto de um delírio) de que a história é sempre uma luta de classes movida por interesses materiais. Faço aqui uma pausa: Longe de mim ter a audácia de definir o que é a verdadeira História. Há aqueles que,inclusive do ponto de vista acadêmico,  defendem que não deveríamos sequer falar na existência de uma “coisa com esse nome” - a História. Mas, deixemos as divagações de lado....Meu objetivo nestas linhas é apresentar alguns detalhes que consegui colher da vida destes chamados “monstros” e tentar, através deles, fazer um paralelo e também alguns juízos de valor com relação ao senhor Luis Inácio Lula da Silva. Faço minha autocensura desde o início: sou médico e não historiador, estou com 42 anos de idade, jamais estive na China ou na antiga URSS, e meu único e rápido contato pessoal com Lula  ocorreu (graças a Deus) somente em 1989! Acho que é pela data que eu devo começar. Ao contrário da literatura sobre a  geração de 68, pouco podemos encontrar escrito sobre este ano tão singular na história política do mundo. Imaginem  como eu, então um marxista tupiniquim  fanático,  devia me sentir quando assitia pela televisão a derrubada do muro de Berlim e a construção de outro aqui em Porto Alegre. Hoje não tenho outra alternativa a não ser recordar Millor Fernandes quando este dizia que uma ideologia, quando está bem velinha e quer se aposentar, vem morar no Brasil. Mas, voltemos ao tema: foi nesse “ambiente psicológico” que conheci o “salvador da pátria”. Lula representava o “novo”, o “puro”, o “não corrompido” pelos interesses de “empresários e banqueiros” que com ajuda dos malvados militares tinha “entregado o Brasil para os americanos”. Jamais alguém pensaria, mesmo na oposição ao PT, que estávamos votando naquele que mais tarde seria o chefe da maior organização criminosa que havia assaltado o país até então.  Muito pouco se falava sobre a vida pregressa de Lula. As pessoas sabiam de seu passado como sindicalista, mas sua formação cultural, vida familiar e valores pareciam mais distantes do que nunca num país onde ninguém se interessa por estas coisas na hora de votar. Lula era uma incógnita.
Hoje em dia parece muito fácil fazer  a devida crítica ao ex-presidente, mas há cerca de 25 anos atrás as coisas eram muito diferentes. Não deixa de ser cômico escutar algumas “viúvas do PT” afirmarem que o partido “mudou” e Lula “se vendeu”. Afinal de contas, para se fazer uma afirmação deste tipo, teríamos que partir da hipótese de que conhecíamos muito bem o homem em quem estávamos votando e isso eu me nego a aceitar.
Não é fácil fazer aquilo que os historiadores chamam de “história do tempo presente”. Às vezes, escrever sobre o que ainda está acontecendo, parece uma tentativa de trocar o pneu com o carro em movimento. Esperar o tempo passar pode, de fato, colocar tudo sobre uma perspectiva mais clara e é com estas ressalvas que deixo aqui minha opinião sobre Lula e seu partido. A chegada de Lula e do Partido dos Trabalhadores ao poder representa, ao meu ver, um ponto de inflexão na história da cultura brasileira. Descemos ao que existe de mais baixo em todas as sociedades e que fica como que aprisionado no chamado “inconsciente coletivo” como diria Jung. Misturar marxismo com religião foi a receita perfeita para que o maior país católico do mundo permitisse a chegada de uma verdadeira legião de recalcados, semianalfabetos e intelectuais de quinta categoria ao poder. Hoje em dia os adversários de Lula com muita frequência o chamam de ditador. São feitas comparações com os tiranos que citei acima e que não deixam de constituir, sob certo aspecto, uma “ofensa” a estes senhores. Se não é assim;  então vejamos: Mao Tse Tung, o líder da Revolução Chinesa, tinha grande prazer em se misturar aos camponeses falando errado e comendo com as mãos. Seus hábitos de higiene eram repugnantes e sua sexualidade perversa. Mesmo assim ao entrar em seu quarto era possível, segundo os biógrafos, deparar-se com uma cama repleta de livros. Adolph Hitler era obcecado pela música de  Wagner, leu a vida inteira e foi inclusive capaz de colocar seus delírios a respeito de uma raça superior no papel. Lenin estudou alemão sozinho, gostava de ler Tchekov e Dostoiévski e jamais subestimou o estudo e a formação acadêmica profissionais. Não meus amigos, do ponto de vista psicológico nenhum deles pode ser rebaixado ao nível de Lula..O nosso ex-presidente tem pelo trabalho e pelo esforço individuais uma concepção mais próxima daquela de Joseph Stalin. Este sim, foi alguém que fez do deboche e do menosprezo pela educação superior o objetivo de uma vida. Stálin era um assaltante de bancos. Sua natureza, de uma grosseria toda particular, foi moldada pelas frequentes surras de um pai cuja ausência e maldade Lula conhece muito bem...Stalin desprezava toda cultura da Rússia e, muito antes de Hitler, tornou-se um antissemita convicto. No que se refere à viúva do ex-presidente das Filipinas, a Wikipédia (para citar só essa fonte) apresenta o seguinte “Imelda Marcos passava o tempo comprando e gastando fortunas em pares de sapatos que nunca viria a usar, e enquanto isto os filipinos morriam de fome na miséria total. Além de sapatos, foram achados joias, vestidos, perfumes caros e outras futilidades na casa de Imelda, tudo comprado supostamente com dinheiro público desviado, segundo algumas fontes” que não dizem se ela tinha cartão corporativo ou não.  Católica como o nosso presidente, ela conheceu vários papas, visitou o Vaticano várias vezes fazendo promessas e, impressionando o mundo com sua mistura de luxo e mau-gosto capaz de causar inveja em Dona Marisa Letícia. Imagino que a Igreja Católica nas Filipinas tenha por ela o mesmo sentimento que os nossos verdadeiros fiéis  nutrem por criaturas como Frei Beto e Leonardo Boff.
Meus amigos, termino por aqui..Usando de um português mais baixo, de um português chulo e digno de um Brasil petista, afirmo que o nosso grande presidente não passa de um “chinelão”.Antes porém do ponto final, uma confissão, um mea culpa, e um aviso: Eu votei em Lula mais de uma vez! Sou responsável por ter chocado o “ovo da serpente”. Ajudei a rebaixar o nível da cultura, da educação, da segurança e da saúde do país. Eu me enganei, quando jovem, sobre o papel do Exército e da verdadeira Igreja e jamais escreveria tudo isso sem assumir a minha responsabilidade.  Sem nenhuma falsa modéstia é com essa coragem – a coragem de quem assumiu que errou – que podemos mudar o país. Que cada um faça seu exame de consciência nesse caminho de dano e, algum dia,  de reparação.

Porto Alegre, 20 de dezembro de 2012.

Dr.Milton Simon Pires
CREMERS 20958
Endereço para correspondência:
Rua Dom Pedro II, 1273. Ap 305
90550-143. PORTO ALEGRE
RS  

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A MAÇONARIA À BEIRA DO ABISMO

"Escreve, pois, as coisas que viste, e as que são,

e as que hão de acontecer depois destas."
Apocalipse 1:19

Perdoem-me, meus irmãos, pelo titulo assustador do artigo. É que escrevo com sede de lucidez e afogado em desespero.  Não tenham a meu respeito àquela opinião do aprendiz que desbasta a pedra bruta com maço e cinzel recicláveis, daquele companheiro com estrela no peito e daquele mestre que “não tem medo de ser feliz” . Peço a vocês alguns instantes de paciência e atenção. Lembrem-se por favor daquele pobre carpinteiro judeu, ele mesmo ao meu ver  um grande maçom, que viveu e morreu na pobreza mas a quem Roma nunca concedeu bolsa família. Recordem-se de que ele não precisou fraudar concurso para entrar no Reino de seu Pai e que, ao ser crucificado ao lado de ladrões, não tinha a seu favor nenhum juiz do Supremo Tribunal.
Meus irmãos, desculpem o jogo de palavras, mas me parece que nada pode ser mais politicamente incorreto do que se discutir  política na sociedade de hoje. Nem precisamos nos preocupar com nossos landmarks que nos proíbem de fazê-lo em loja porque vivemos numa espécie de grande Facebook em que suscitar polêmicas é de mau gosto. Ironicamente  a democracia, levada ao seu grau mais extremo de corrupção, fez com que todos nos calássemos sem necessidade de ameças ou golpes militares.
De pé e a ordem pois,  para ouvirem aqui as razões de tal situação. Não vou usar de meias palavras para dizer a vocês que homens e mulheres, verdadeiros marginais do poder como disse o ministro Celso de Melo, tomaram o Estado brasileiro. Assediaram a República, prostituíram-na, mancharam-lhe a honra e a dignidade de uma maneira que não encontra precedente em nossa história. É aterrador o efeito causado pela revelação daquilo que fizeram com o dinheiro público e com a boa fé do nosso povo, mas permitam-me  alertá-los que mais grave é aquilo que não se enxerga. Usemos um computador como comparação: nos encantamos ou decepcionamos com o aspecto externo de uma máquina mas não nos lembramos de perguntar que programa ela roda. É assim meus irmãos que devemos abordar aquilo que está acontecendo hoje . É necessário um exercício de abstração para esquecer da compra de deputados, das licitações fraudadas e dos dólares remetidos para o exterior. Não...não é esse o tema aqui. Aqui quero  lembrar da nossa  Universidade Publica a serviço de um partido que quer nos transformar em uma pequena China ou numa grande Cuba, das nossas Forças Armadas com “dobradiça na espinha” e de uma Igreja que descobriu  que “Templo é Dinheiro”. Este verdadeiro “software do mal” é capaz de convencer pessoas com terceiro grau completo de  que Ivete Sangalo tem o mesmo valor que Mozart, de que Paulo Coelho é igual a James Joyce, e de que Lula é o novo Getúlio Vargas. São desses conceitos que devemos nos livrar pois o futuro da nossa ordem há de trilhar o caminho do ridículo se  aceitarmos  na Maçonaria a ordem democrática que se instituiu no país.
Meus irmãos, já basta de tanta ironia e meias palavras! Imperam no Brasil um relativismo de valores e uma desordem institucional tais que, não há mais religião, crença ou força armada  capaz de fazer frente a Revolução Cultural que se estabeleceu. Vivemos na Maçonaria um momento crucial em que o que está em jogo é a sua própria sobrevivência. Desapareceu , em toda sociedade brasileira, espaço para os conceitos de mérito, hierarquia e disciplina em que, sem dúvida alguma, se fundamentam vários dos nossos princípios. Não devemos ter constrangimento algum de dizer que a Maçonaria não nasceu como instituição democrática, que a entrada e progressão nas nossas fileiras se faz em primeiro lugar por mérito e só depois por votação entre iguais, e que não estamos a serviço de partido algum ! Não me acusem, irmãos,  de golpismo,  de atentar contra o Estado de Direito ou de querer derrubar a República. Meu interesse aqui não é mudar o Brasil, mas impedir que o Brasil do PT mude a Maçonaria. Não me tomem por um paranóico que acredita que seremos perseguidos por tiranos como fizeram Francisco Franco ou  Adolf Hitler. Não meus irmãos, ninguém vai fechar nossas  lojas, proibir nossos ágapes  ou mesmo  criticar abertamente. Seremos destruídos de dentro para fora e não de fora para dentro. Está próximo o dia em que algum irmão vai proclamar o nascimento de uma “Maçonaria sem Preconceitos”, de cotas raciais para entrada na Ordem, de sessões transmitidas ao vivo pela TV ou pela Internet (para que o “povo” possa saber o que fazemos) ou até de concurso publico para ser maçom. Também não está longe o tempo em que teremos que aceitar irmãos abertamente ateus ou ativistas de Organizações não Governamentais para quem nós, maçons, não passamos de “dinossauros”. A serviço do seu  partido esse tipo de gente vai sustentar que é uma sociedade democrática que faz as instituições fortes quando na verdade são as instituições fortes que garantem a democracia de uma sociedade.
Quero terminar com um apelo e um alerta  a todos os maçons brasileiros esperando sinceramente estar errado em minhas conclusões: a Ordem Maçônica nasceu, antes de tudo, para ser uma escola de livre pensamento. É  essa a nossa contribuição para história e o legado deixado pelos nossos antepassados. Não há relato prévio de nenhum estado totalitário capaz de conviver com esse tipo de princípio. Sejamos rigorosos em nossas sindicâncias com relação a filiação política de certos candidatos. Não tenhamos constrangimento em dizer-lhes que não são bem vindos porque seu partido entregou o país ao narcotráfico, ao ateísmo e à apologia do casamento gay.
Rogo à todas as potências que manifestem-se, em seu grau supremo, e  abertamente através das publicações de grande circulação a respeito do resultado da Ação Penal  470 que tramita atualmente no Supremo Tribunal Federal. Proponho ainda que todo irmão filiado à organização criminosa que atende pelo nome de Partido dos Trabalhadores seja submetido a processo disciplinar e afastado de nossas  lojas. Lembrem-se sempre que seja  em nome do aquecimento global, dos direitos dos homossexuais ou até mesmo das focas do Alasca (já que o motivo não tem a menor importância) aproxima-se o momento em a Maçonaria vai ser levada a público através de uma   imprensa corrupta e com ajuda de maçons-petistas com o objetivo de ser exposta a todo tipo de acusação absurda.
Que Deus nos ajude, meus irmãos, na batalha que se aproxima.

Muito obrigado !

Porto Alegre, 7 de dezembro de 2012.
cardiopires
Enviado por cardiopires em 07/12/2012
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sábado, 24 de novembro de 2012

VINGANÇA E PERDÃO NA ILÍADA - A CONTRIBUIÇÃO DE HOMERO PARA DOUTRINA ESPÍRITA


Há alguns dias atrás realizei um sonho: concluir a leitura completa da Ilíada. Curioso a respeito de uma história de aproximadamente três mil anos, eu imaginava o porquê de sua importância para literatura e para própria cultura ocidentais sem conseguir perceber sua ligação com a nossa tradição filosófica e religiosa. Terminado o livro, decidi pesquisar um pouco a vida de Homero e saber quanto de verdade histórica pode haver no legado que nos deixou. É sobre isso que quero escrever aqui. Até onde consegui entender ninguém pode afirmar com certeza se existiu alguém chamado Homero. Se de fato existiu, presume-se que tenha escrito a Ilíada aproximadamente 500 anos depois dos fatos apresentados no poema que leva esse nome. A chamada Guerra de Troia, ou Guerras Troianas como dizem alguns autores, teriam ocorrido por volta século XIII A.C. no final da chamada Idade do Bronze. Assim, entre 1280 e 1250 antes da nossa era, o mundo teria assistido a maior reunião de forças militares até então jamais ocorrida e realizada com o objetivo de atacar o Reino de Troia. Mais do que o feito militar em si, a importância reside na formação da própria identidade da Grécia como nação e é fundamental compreender que os relatos apresentados na Ilíada e na Odisseia são aquilo que existe de mais próximo de uma "Bíblia da Grécia Antiga". Tal afirmativa pode ser feita à medida que compreendemos que não existia até então um país ou reino conhecido como Hélade. Micenas, Esparta, Ítaca e tantos outros correspondiam a cidades-estado que, compartilhando de uma mesma língua, teriam se unido aos chamados Átridas (Menelau e Agamenon) em virtude de um juramento em defesa da honra destes governantes. Atribui-se ao rapto de Helena a causa da Guerra de Troia. Ocorre que, além de não sabermos se houve ou não tal batalha (já que não existe prova histórica definitiva), jamais se encontrou qualquer indício da existência ou não de uma mulher com esse nome.

Mas, se não sabemos se existiu ou não (com certeza absoluta) uma cidade com nome de Troia, se não é possível comprovar a existência histórica de personagens fundamentais da Ilíada como Aquiles, Agamenon e Heitor, e se a própria existência do autor desta epopéia - Homero - é questionada, como explicar que esta história tenha atravessado 3 mil anos inspirando poetas, pintores, escultores.. ? Como aceitar que ela tenha se tornado uma espécie de cânone da cultura ocidental servindo de base para vários temas da filosofia e com seus deuses e mitos ajudado a criar as próprias bases da psicanálise ??

Longe de querer apresentar uma resposta definitiva, faço aqui apenas uma proposta (sem falsa modéstia, nada original) - Atribuir toda genialidade do autor a um fato inédito até então em qualquer obra escrita: a sacralização do humano e a humanização do sagrado. Explico - Homero nos apresenta uma história em que humanos tem atitudes divinas e os deuses da mitologia atitudes humanas. Sem questionar a existência ou não de Zeus, Hera, Atena, Apolo e tantos outros é maravilhoso perceber que tanto eles como os personagens humanos da Ilíada e da Odisseia são vítimas das mais primitivas emoções e ao mesmo tempo capazes do atos mais divinos de caridade e compaixão.

Lendo alguns textos acadêmicos a respeito da Ilíada, me pareceu que aos pesquisadores frequentemente coloca-se (entre outros dilemas) a questão de se Homero quis apresentar uma obra que mostra a História através de um poema ou se se era sua intenção escrever um poema que fizesse História. Mais uma vez, acredito que não há resposta para esta pergunta. Ela vai acabar se somando a chamada "Questão Homérica" - que discute inclusive se teriam sido um ou mais os autores da Ilíada e da Odisseia. Apesar disso, o que me parece livre de discussão é entender que do ponto de vista espírita são a vingança e o perdão os temas principais da Ilíada e que, entre todos os outros, é Aquiles seu personagem fundamental. Aquiles, apesar de sua origem em parte divina, é um dos mais humanos personagens de Homero. São seu orgulho, vaidade e apego a matéria que atravessam toda Ilíada e que são a fonte de sua glória e, ao mesmo tempo, de sua desgraça. Irritado com Agamenon que lhe tomou a escrava Briseide, ele se retira da Guerra de Troia levando assim grandes derrotas aos exércitos gregos e, orgulhoso, só muda sua decisão por ocasião da morte do amigo Pátroclo. A partir deste ponto de vista a ira de Aquiles e sua vingança contra Heitor são o ponto máximo da narrativa de Homero. Ainda que permeada de episódios mediúnicos, toda Ilíada não alcança (do ponto de vista da Doutrina) o seu verdadeiro sentido até o chamado "Canto XXIV" quando Homero, de forma comovente, nos descreve o episódio em que Príamo - máximo de Troia - vai até a tenda de Aquiles e, em lágrimas, implora que este lhe permita levar o corpo do filho Heitor para prestar-lhe as devidas homenagens. Choram tanto Aquiles quanto o pai de Heitor e é somente naquele momento de reconciliação que existe alguma paz nesta epopéia.

Mesmo sabendo que a guerra não termina assim, que Troia depois foi invadida e destruída, é impossível deixar de perceber, entre tanta desgraça, a clara alusão feita por Homero a idéia de que são a caridade o perdão o único caminho para paz entre os povos. Talvez tenha sido essa a maior mensagem que a Ilíada deixou e a razão de, ainda hoje, sua história atravessar o tempo.

Para o meu amigo Astolfo com os meu melhores votos,

Porto Alegre, 20 de novembro de 2012.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A Doutrina Espírita e o Conceito de Tempo - Uma Revolução em Silêncio

De que modo existem aqueles dois tempos - o passado e o futuro - se o passado já não existe e o futuro ainda não veio? Quanto ao presente, se fosse sempre presente e não passasse para o pretérito, já não seria tempo, mas eternidade !

Foi dessa maneira devastadora para todos os filósofos e que até hoje não teve contestação à altura que Santo Agostinho, no Livro XI de Confissões, nos colocou o problema de definir o que é o tempo. O presente artigo tem por objetivo apresentar algumas considerações a respeito desse problema fundamental para Filosofia e as oportunidades e desafios que o Espiritismo nos oferece ao abordá-lo. Cada vez que nos perguntamos o que vem a ser exatamente o tempo ficamos impressionados - a quantidade de respostas é inversamente proporcional a capacidade de esclarecimento. Desde as condições meteorológicas até o processo de envelhecimento, passando pelas piadas daqueles que nos mostram seus relógios, as pessoas nos dão longas explicações que a rigor não tem significado algum. Mais do que isso, nos impressionamos com a convicção de respostas que frequentemente apelam para noção de "senso comum" e que demonstram aquela que talvez seja a única verdade sobre a questão - também estabelecida pelo bispo de Hipona - se nos perguntam o que é o tempo, sabemos; se tivermos que explicar o que é, já não sabemos. É a partir deste ponto que eu gostaria de começar este breve exercício de entendimento. O conceito de tempo como uma espécie de "ordem interna" do processo racional foi magistralmente tratado por Kant em sua Crítica da Razão Pura. Na parte que toca à Estética Transcendental, parece ser evidente que a simples noção daquilo que venha a ser o tempo prescinde de uma experiência prévia e ele é definido como uma espécie de "verdade intuída". Sem ser um filósofo profissional e muito menos ter a certeza de ter compreendido bem um livro como esse, me parece que o tempo funciona como uma espécie de "pano de fundo" para um teatro em que o ator principal é a nossa própria razão. Parto aqui da idéia de que, tudo aquilo que entendemos como racional precisa ser entendido no tempo e não a partir dele. Tudo que nos cerca nos parece passível de ser analisado racionalmente à medida que estabelecemos relações de causa e efeito entre os fenômenos que observamos. Sem a noção de antes e depois não é, ao meu ver, possível ser racional em sentido algum.
A verdadeira revolução que a Doutrina Espírita coloca para esse problema (definição do que é o tempo) é a idéia da reencarnação. Toda nossa vida é pautada pela idéia de finitude. Aceitando ou não, todos nós sabemos que um dia vamos morrer e o universo moral em que vivemos tem seus conceitos inevitavelmente fundado nisso. Nossa espécie construiu seus ideaIs de beleza, amor, verdade, e acima de tudo justiça em função de sermos mortais. Extrapolamos nossas noções de certo ou errado conforme o tempo em que estivemos aqui. Conversando com amigos ou simples conhecidos nos surpreendemos às vezes dizendo de forma amarga - Não há justiça nesse mundo. Veja o exemplo de "fulano" que trabalhou toda vida, nunca fez mal a ninguém, sofreu como um cão e morreu na miséria. Não é fácil ser filósofo num momento assim, mas num exercício muito rápido é possível ver que toda essa "verdade" exposta de maneira tão cruel depende de aceitar como resolvido um problema que não está nem próximo disso. Se não; vejamos: como posso dizer que não há justiça nesta vida quando não sei exatamente o que é tempo? Se a própria noção geral do que é justiça depende unicamente da minha vida aqui nessa terra e que essa vida é a única que eu tenho, como posso aceitar um Deus que me faz nascer, morrer, e viver na mais perfeita injustiça? Coloca-se aí o problema de que se Deus existe ele não é justo, mas se ele não é justo; então não é Deus. A revolução a que faço referência no título deste trabalho é o advento da noção de reencarnação. Resgatado e codificado de forma tão brilhante por Kardec ela não é nova na história humana pois a necessidade que todos nós temos de dar um sentido ao sofrimento e entender aquilo que vivemos é anterior ao Espiritismo. Iluminados pela mensagem deixada por Cristo que tem como fundamento o princípio filosófico de que o fim do corpo não é o do espírito, temos na idéia de reencarnação toda uma verdadeira "revolução" naquilo que entendemos como justiça. Este é o fato fundamental pois eu afirmo que todo ser humano, acreditando ou não em Deus, sabendo ou não o que é o tempo, está, como diria Sartre, "condenado a ser livre" e para isso (acréscimo meu) a buscar aquilo que pensa ser justo "Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei" é o lema desta revolução que se fez em silêncio, que mudou o que pensamos sobre o que é a justiça e o que é o tempo e nos mostra, de maneira quase geométrica, que fora da caridade não há salvação.

20 de julho de 2012

Dr.Milton Simon Pires.
CREMERS 20958
Porto Alegre - RS
cardiopires
Enviado por cardiopires em 20/07/2012
Reeditado em 30/05/2013
Código do texto: T3789080
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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Diabo tomando Prozac - Ensaio sobre o Fim da Cultura

O presente artigo parte da premissa de que, em toda História da civilização, jamais houve verdadeiramente uma cultura que aceitasse completamente a responsabilidade de seus próprios atos. Sustenta ainda a idéia de que  a alteridade do mal, ou seja, sua condição de força com vida própria e alheia à vontade humana foi sempre uma necessidade em todas as épocas.

O estudo comparado das religiões não deixa de se  mostrar irônico no sentido de que, se o Bem e os deuses responsáveis pela sua  existência tem características tão distintas,  o Mal nos parece ser o resultado da ação  de um Diabo que costuma se repetir muito, ainda que com "excelentes" resultados. Seria falta de imaginação da parte dos criadores das teogonias ou é verdade que o Diabo sempre vai ser o maior inimigo de Sartre? Para quem não lembra, esse talvez tenha sido o filósofo da "responsabilidade" - alguém que sempre vai nos chamar para assumir as  consequências das nossas ações e lembrar  que estamos "condenados a ser livres" para escolher o nosso destino. É impossível imaginar um papel para o Diabo quando se pensa como um existencialista porque Lúcifer, não tenho dúvida, tem como função negar a liberdade humana. Aqueles que acreditam em possessão demoníaca e exorcismo (não interessa em que tempo ou lugar) não deixam de repetir Rosseau e o seu "bom selvagem" porque não parece diferente dizer que o homem nasce bom e a sociedade o corrompe do que afirmar que ele é bom; mas o Demônio o possuiu. O que existe em comum nos dois casos é, como eu escrevi no início, a idéia de alteridade, a noção do outro, do objeto externo e da inocência a priori da qual resultará sempre a possibilidade de se redimir e, como gosta de lembrar Luc Ferri, de obter a Salvação - eterna busca do homem e espécie de "primeiro-motor" da filosofia.
O que eu me pergunto às vezes é - que papel pode existir para o Demônio em uma sociedade que não sente mais culpa? Heresia para qualquer discípulo de Freud, essa idéia parece de início um absurdo - "Não há cultura sem Repressão" está muito próximo de "Não há cultura sem Culpa" mas mesmo assim eu gostaria de insistir na hipótese e imaginar um "mundo sem remorsos”...um mundo de Auschwitz, de Pol Pot e do seu Camboja, um mundo de fanatismo com Hitler e Stalin..um mundo assustador e antecipado por Dostoiévski em "Os Demônios"...enfim..um mundo onde a palavra "culpa" já não tem mais significado porque nele  impera a ausência de sentido e não se sabe mais o que é o Bem e o Mal..
Eu acho deprimente pensar o mundo assim, mas imagine-se por um momento no papel de "Diabo"..Um Diabo nesse mundo não passaria de um "pobre diabo"..um diabo com "d" minúsculo que não sabe mais ao que veio, já que não tem mais nada para fazer aqui..
Dormindo mal, bebendo, sentindo-se inútil..esse Diabo pós-moderno vai acabar usando Prozac porque a questão do sentido obrigatoriamente permeia toda ação seja ela humana, divina ou "diabólica" e a depressão adquire aí um caráter quase "sobrenatural"...rsss
Espero, para terminar com mais esperança, que o próprio conceito de Cultura não dependa de tanto maniqueísmo...Bem, Mal, Deus, Diabo...quem sabe a Civilização sempre vai estar aí e essas forças estão dentro de nós mesmos? Quem sabe não há sentido algum a ser buscado como querem os teóricos da Desconstrução..ou quem sabe busca e destino são uma coisa só como querem os budistas? Não sei, mas de uma coisa tenho certeza - até uma certa época da nossa História, de certa maneira, sempre houve um sentido..Agora não parece haver mais e acho difícil que torne a haver enquanto não percebermos que quem morreu foi Nietzsche; não Deus..e que não há espaço para diabo algum quando é Ele que está dentro de nós.

                                                     para Eunice.

                                                                                                                                                         julho de 2012
cardiopires
Enviado por cardiopires em 06/07/2012
Reeditado em 30/05/2013
Código do texto: T3764310
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