"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

sexta-feira, 31 de maio de 2013

DEPOIS FALAM MAL DO LOBÃO

Um trem de passageiros em alta velocidade matou, na quinta-feira, quatro elefantes no leste da Índia depois que o motorista não conseguiu parar a tempo, informou um ministro do governo à AFP.


O parágrafo acima, com uma enorme foto de um elefante atropelado, estava na capa da edição eletrônica de um dos maiores jornais do Rio Grande do Sul hoje à tarde.
Há algum tempo venho tentando alertar, para desgosto de muitos jornalistas sérios que conheço e publicam, em seus blogs, o que escrevo que já existe uma censura na nossa mídia. Apesar de ser diferente daquela implementada pelo Regime Militar, ela funciona muito bem. Na verdade eu diria que é até mais eficaz do que a anterior, pois atua em silêncio. É simplesmente constrangedor o número de manchetes estapafúrdias que os jornais brasileiros apresentam hoje em dia. As informações mais inúteis, mais sem sentido, mais ridículas possíveis ocupam páginas e mais páginas.
Atualmente penso que quem escreve esse tipo de notícia já não o faz de modo consciente.Tornou-se vítima de um mundo fútil, de um eterno presente em que nada do passado faz sentido e o futuro ainda não veio. Nos últimos dias Porto Alegre recebeu,  como hóspedes oficiais,  guerrilheiros das FARC e não se viu notícia em jornal algum. Pessoas morrem nas emergências dos hospitais sem acesso ao tratamento adequado e não se diz nada. Nunca houve tão poucos policiais pela cidade e nós continuamos calados. Até aonde isso vai? Queimam-se vivos dois dentistas e o Brasil fica quieto, mas atreva-se alguém a cortar uma árvore ou chutar um cachorro para ver a repercussão na internet. Qualquer, mas qualquer mesmo, notícia relacionada à preservação do ambiente, homossexualismo, e direitos das minorias tem preferência total em relação às gravíssimas questões da educação, da segurança, e da saúde! Estas, quando são tratadas com "seriedade" são abordadas por comentaristas de futebol, vencedores do Big Brother ou ex-modelos, pô! Esse tipo de jornalista merece ataque constante e não pode ter, da parte de qualquer leitor sério, nenhum tipo de trégua. Mudem aquilo que estão escrevendo por que ainda existem pessoas inteligentes no Brasil!
Tenho a impressão de que a rotina de certos "jornalistas" quando chegam ao trabalho não deve ser mais do que procurar notícias como essa dos elefantes. Depois, reunidos e tomando café, gastam o resto da manhã falando mal do Lobão..
cardiopires

CIÊNCIA A SERVIÇO DA IDEOLOGIA

Caros amigos do Recanto das Letras,para todos aqueles que se interessam em desmascarar a fraude do Aquecimento Global uma dica: leiam o artigo intitulado “Ciência a Serviço da Ideologia” escrito pelo físico,membro da União Geofísica Americana e da Sociedade Americana de Meteorologia, Norman Rogers. Originalmente o autor tinha a intenção de apresentar um contraponto ao chamado National Climate Assessment – comitê de “cientistas” financiados com dinheiro federal nos EUA para estudar mudanças do clima e seu impacto. O texto está disponível na página de hoje do American Thinker na internet. Garanto a todos que é um duríssimo recado para aqueles que Rogers apresenta como defensores da “junk science” – um tipo de cientista que aqui no Brasil faz muito sucesso e que tem no CNPQ do B o seu reduto. Nos EUA, diz o autor,existe toda uma burocracia estatal que vive do medo do aquecimento global e que criou uma verdadeira “mina de ouro” para os ambientalistas, políticos, burocratas e produtores de etanol. O texto tem três páginas e, assim que puder, pretendo traduzi-lo para o português. Uma das partes mais impressionantes, e ao mesmo tempo acessíveis, é aquela em que o autor apresenta a associação ridícula que vem se fazendo no mundo inteiro entre Aquecimento Global e os chamados Fenômenos de Tempo Severo. Rogers deixa claro que os furacões, tempestades e inundações tem como fundamento básico na sua causa a diferença de temperatura entre os polos do planeta e a linha do equador. Se o aquecimento global fosse uma realidade,esta diferença deveria diminuir; não aumentar. Nessa linha de raciocínio, os fenômenos dentro da definição de “tempo severo” deveriam ser menos,e não mais frequentes como querem todos os ambientalistas e apóstolos da tese do efeito estufa.Para todo mundo que se interessa pelo tema e que sabe como o assunto serve para desviar dinheiro público aqui mesmo,no Brasil, o artigo é imperdível.

cardiopires

quinta-feira, 30 de maio de 2013

JUSTIÇA E CLAMOR POPULAR – O AVISO DE SANTA MARIA

Alguns meses atrás escrevi um artigo sobre a tragédia da boate Kiss. Expliquei o que poderia acontecer com os sobreviventes, desmascarei  aqueles que afirmavam haver recursos suficientes para tratamento dos feridos e apontei  quem eram, na minha opinião, os verdadeiros culpados.

Hoje o tema vai ser outro. Ontem, dia 29 de maio, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul  decidiu por unanimidade a soltura de quatro réus, entre eles dois sócios da boate, envolvidos na tragédia. Um dos argumentos apresentados para sustentar essa decisão foi que não existia mais, na opinião daquela corte, clamor popular que justificasse a manutenção da prisão.
Nunca estudei Direito, não tive nenhum parente ou conhecido envolvido naquele horror, não tenho a menor idéia de como um processo assim deve tramitar na justiça, mas fiquei com uma dúvida – gostaria de saber se, na faculdade  e mais tarde quando alguém se torna um juiz, o “clamor popular” é um elemento a ser levado em conta quando se pensa em manter ou não um réu na prisão. Sempre achei que a característica democrática do poder judiciário vinha da constituição; não do respaldo popular. Se não fosse assim, os tribunais se tornariam grandes assembleias, como aquelas de certos sindicatos que mais tarde elegeram um presidente do Brasil. O juiz teria então que decidir de acordo com a “torcida que fizesse mais barulho” e tanto o código  quanto a lei de execução penal se tornariam peças de museu.
Entendo que o Direito, assim como a Medicina, não é ciência exata. Sei que o juiz não é um androide comandado pela carta magna de um país e que vai longe o tempo da apologia do positivismo, mas não tinha idéia do quão importante poderia se tornar esse elemento, necessariamente externo ao próprio processo, na hora que se forma a convicção de um magistrado.
Como leigo e como alguém que se considera cidadão de bem, não me cabe em hipótese alguma manifestar-se sobre o que o Tribunal decidiu, mas acredito que se o argumento da “repercussão na sociedade” for de fato um elemento a ser levado em conta nas decisões dos judiciais está dado um recado muito claro sobre o futuro de outro processo polêmico – a Ação Penal 470.
Levando em conta a preocupação da sociedade com o futuro daqueles que o ministro Celso de Mello chamou de “marginais do poder”, penso que todos eles podem ficar tranquilos pois não vejo  atualmente “clamor popular” algum capaz de mandá-los para a prisão  – é esse o aviso a ser levado em conta e que dá título a esse pequeno artigo – o aviso de Santa Maria.

Milton Pires

Porto Alegre, 30 de maio de 2013.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

RESPOSTA AO JUREMIR MACHADO DA SILVA EM DEZ MENTIRAS DA DIREITA

A esquerda brasileira é burra que faz chorar.
Mente sem vergonha alguma
E ainda cita frases de Bertold Brecht  sobre diferenças entre fundar e roubar bancos
É o que gosta de fazer
E vem conseguindo!

Dez mentiras da esquerda que não emplacam

1. Lula sendo mostrado ao Brasil como verdadeiro trabalhador.
Mentira rasteira do PT. Tem dinheiro,e muito, escondido fora do Brasil. A Polícia Federal atendeu ao pedido do Ministério Público e abriu inquérito para investigar se o ex-presidente Lula teve participação num suposto repasse de sete milhões de dólares da empresa Portugal Telecom para o Partido dos Trabalhadores durante o governo dele.

2. Há liberdade de imprensa na Venezuela
Mentira! Jornalistas são presos e ameaçados de morte quando discordam dos hermanos petralhas.
O prisioneiro político Alejandro Peña Esclusa dá uma alerta a José Serra, relembrando atitudes de Lula que confirmam a aliança PT-Farc. Nivaldo Cordeiro, em vídeo, destaca que o PSDB deve abandonar sua histórica pusilanimidade em relação ao PT, ao MST, e à ascensão ao poder político do narcoterror na América Latina.

3. Cristina Kirchner é democrata
No domingo 27, sindicalistas ligados ao governo fizeram um piquete – o quinto em cinco meses – em frente à gráfica do jornal e impediram a distribuição do “Clarín” e “Olé”, publicação esportiva que pertence ao mesmo grupo.

4. Os dois lados estão sendo investigados pela Comissão da Verdade.
Mentira. Essa comissão é da Vingança e já tem pronta há anos a versão daquilo que aconteceu.
Ninguém "resistiu" à ditadura alguma. Lutou  com unhas e dentes para implantar outra que seria
infinitamente pior. Assassinos de soldados e sequestradores hoje ocupam cargos públicos e roubam tudo que podem para o seu partido-religião.

5. O Brasil estava a beira do comunismo em 1964
Mentira! Já estava nesse ponto em 1961.

6. Bolsa Família torna as pessoas dependentes e preguiçosas
Mentira. O bolsa família elege políticos com essas características.

7. Alunos cotistas não conseguem acompanhar o ritmo dos outros
Mentira! Conseguem acompanhar, sim, quando a universidade é pública  e o professor é um  militante do PT que os leva para passeatas com o Lula como fizeram comigo (que graças a Deus nunca fui cotista de nada)   em Porto Alegre na década de 1980!

8. Não havia corrupção no regime militar.
Havia,sim ..mas ninguém colocou a culpa no regime anterior, ninguém disse que isso sempre foi assim, e ninguém disse que não sabia de nada. Quem faz os tanques  fecharem o congresso é um anjo perto de quem é capaz de comprar o congresso inteiro..

9.Jango foi um presidente fraco.
Isso é verdade! Não teve coragem de fazer aquilo que o Brasil inteiro pediu para que os militares fizessem em 1964.

10. O estado mínimo produz o máximo de benefícios e não existe divisão entre esquerda e direita.
Mentira! Um partido totalitário não faz separação entre estado, governo e sociedade. Coloca todos os três ao seu inteiro serviço e não interessa se faz pactos com a esquerda ou a direita
para se manter no poder.

Dedicado a esse "pseudo-intelectual" dos Pampas e com o objetivo de mostrar ao Brasil inteiro que aqui  no Rio Grande a voz dele não é  única. Que esse covarde pense duas vezes antes de escrever besteira pois sempre vai haver alguém, mesmo um simples médico sem a sua formação , para lhe oferecer a devida resposta!

Milton Pires – 29 de maio de 2013
cardiopires

terça-feira, 28 de maio de 2013

A HORA DO LOBO


Terminei ontem o Manifesto do Nada na Terra do Nunca, do cantor de rock, escritor, e de agora em diante para mim, pelo menos para mim, pensador brasileiro – João Luiz Woerdenbag, o Lobão. São duzentas e quarenta páginas duma leitura de “lavar a alma”. Muito daquilo que está escrito ali eu mesmo queria colocar no papel.

Partindo de uma bibliografia que  conta com Edgar Morin, Olavo de Carvalho, David Horowitz e tantos outros capazes de (não me perguntem como)  manter um pensamento original, Lobão vem para, literalmente, não deixar “pedra sobre pedra”. Tendo como base a Semana de Arte Moderna e o Manifesto Antropofágico de 1922, Lobão diverte, comove, convence e cativa numa prosa alucinada e permeada por uma honestidade intelectual que há muito, mas muito tempo mesmo, deixou de existir no Brasil.
Em sete capítulos que tratam de arte, cultura, música, viagem e também, com muito senso de humor, de si mesmo, ele mostra a podridão da chamada intelectualidade brasileira atual. Seu recado para escória que infesta a universidade, a música, a literatura..enfim, para o próprio pensamento brasileiro atual é um só – “sejam originais, pô!” Chega de coitadismo, de indianismo, de multiculturalismo misturados com autopiedade e com essa complacência com a falta de caráter de um povo que fez de Macunaíma seu herói e das ONGS as suas novas Igrejas.
Lobão não tem pudor algum em mostrar que para ser intelectual politicamente correto no Brasil petista basta ter escrito algum samba durante a Ditadura Militar, algum romance que se passa no leste Europeu, ou ter passado uma noite numa delegacia qualquer nos anos 70. Ele desmascara a Lei Rouanet e os privilégios de um certo tipo de artista que toca violão como se estivesse “tomando cafezinho com nojo”. Demonstra o porquê da falta de espaço para o verdadeiro rock na mídia brasileira, mostra a hipocrisia daquilo que chama de “Omissão” em vez de “Comissão” da verdade e deixa uma dura lição para todos os estudantezinhos dessa Universidade do B – a lição de que quem se vendeu, quem se tornou decadente, quem não tem mais peito nem coragem alguma para sair à rua são eles!
Bem vindo, Lobão, ao grupo daqueles poucos que merecem, de verdade, o título de intelectual. Uma pequena fração de brasileiros capazes de manter uma razão livre de fanatismos e que não está nem aí para esse Partido-Religião que está acabando com a cultura do Brasil.
Definitivamente, chegou a Hora do Lobo..

Porto Alegre, 28 de maio de 2013
cardiopires

segunda-feira, 27 de maio de 2013

FIM DO BOLSA FAMÍLIA - A NECESSIDADE DO MEDO

Já escrevi antes sobre o medo. Volto agora ao tema em função desse episódio, patético, protagonizado pela  Caixa Econômica Federal com relação ao Bolsa Família. Em texto anterior expliquei que todo Estado totalitário tem como fundamento três características – a burocracia, a violência, e a desinformação. Lembro desde logo que essa teoria não é minha. Está muito bem detalhada em As Origens do Totalitarismo de Hannha Arendt e serve, ao meu ver,como uma luva para o o Brasil petista. Faço aqui questão de salientar a expressão Brasil petista e não Brasil do PT. Sustento que,  a exemplo de Alemanha Nazista, é esse o conceito a ser usado.

O episódio desencadeado pelo boato do fim do Bolsa Família pode ser compreendido nos termos da  teoria de Arendt à medida que aceitarmos a indução de medo como uma forma de violência. Acho desnecessário falar aqui sobre a burocracia num país com quarenta ministérios e não vejo sentido em mencionar a desinformação numa sociedade que acredita mais nas redes sociais (até porque não existem muitas alternativas) do que nos seus jornalistas sérios.
Há muito, mas muito tempo mesmo, o medo tornou-se uma constante na vida do brasileiro. A coisa chegou a tal ponto que fazer aqui uma lista dos motivos seria desperdício  para o leitor. A novidade, se é que posso usar esse termo, é o sentido político que esse sentimento assumiu.
O medo da sociedade brasileira provocado por uma organização criminosa como o Partido dos Trabalhadores vai muito além da prisão, da tortura, ou dos desaparecimentos das décadas de 60 e 70. Sustento que o medo no Brasil petista tem “vida própria”. Passou a ser uma espécie de categoria do pensamento, uma proposição a priori que não necessita de demonstração e que passou, ela sim, a  dirigir a nossa racionalidade.
Vivemos com medo de absolutamente tudo – violência, doenças, pobreza, corrupção, injustiça..enfim, a lista é interminável mas talvez seja a primeira vez em toda história do Brasil que vivemos com medo sem acreditar que possa haver algo melhor. É a falta de esperança, acompanhada pelo medo, que nos leva a um nível de sofrimento..um sofrimento que nunca antes na história desse país havia acontecido. O medo provocado pela ralé do PT tem em comum com os medos de Hitler e Stalin a história de uma governo que não tem oposição alguma.
O sentido da violência e do medo na perspectiva tática do PT não pode ser explicado em termos tradicionais. O medo não serve para  manter esse tipo de gente no governo;mas  no poder. Há que se fazer aqui uma profunda distinção e lembrar sempre que o poder é capacidade de gerar consenso. Governo no Brasil pode significar qualquer outra coisa; menos  poder. Já expliquei em artigo anterior como surgiu o poder do PT na sociedade brasileira. Aqui, e para terminar, sustento que o medo constante faz parte da sua forma de governar. Medo que, como demonstrado pelo caso do Bolsa Família,serviu para mostrar que na teoria petista as coisas poderiam ser “muito piores” se ele, PT,  não estivesse no governo. Esqueçam portanto o mensalão, Rosemary Noronha, Celso Daniel, e tantos outros escândalos desses últimos dez anos e fiquem vocês, os pobres dependentes do Bolsa Família, convencidos de que “a vida pode  ficar bem ruim se nós do  PT não estivermos aqui para defendê-los”. Isso se chama mensagem subliminar. Em outra ocasião escrevo mais sobre ela falando das suas origens em Goebbels na década de 1930.
Lembrem-se todos os brasileiros que de agora em diante terão além das necessidades históricas de saúde, educação e segurança, mais uma necessidade terrível e que vai fazê-los esquecer de todas as outras – a necessidade do próprio medo..

Milto Pires
cardiopires

domingo, 26 de maio de 2013

LIBERAÇÃO DA MACONHA - PLANET HEMP E O HINO NACIONAL BRASILEIRO


Meus caros amigos, imaginem a minha audácia: escrever um artigo contra a liberação da maconha! Isso em pleno 2013, isso depois da ditadura, isso depois de todas as lutas contra os preconceitos, isso depois de “estar provado” que cigarro que é mais maléfico à saúde do que a maconha..rss..rss..e  - agora vem o pior - “só porque sou médico”? Essa certamente deve ser considerada a pior parte – alguém que, “só por ser médico” acha que tem mais “direito” do que todos os outros do que falar sobre o assunto..rss..rss. Pois é, fazer o quê? Agora comecei o texto e vou até o fim!

Algum tempo atrás escrevi um artigo chamado “Os especialistas da LBB”. LBB naquele contexto significava Legião Brasileira de Bobalhões...rss. Acho impossível falar sobre a liberação da maconha e suas marchas sem mencionar novamente esse pessoal.
A grande tentação daquele que escreve contra os maconheiros  é partir para uma crítica de caráter passional. Falar sobre as famílias que perderam tudo, das relações destruídas ou dos patrimônios dilapidados. Em outros casos, quando é algum “colega” médico que escreve, o texto torna-se técnico e começam aparecer estatísticas e referências bibliográficas que enchem o saco de qualquer um. Então, vocês, vão perguntar – o que esse teu artigo pretende trazer de novo, Milton?
Vou responder de maneira curta e grossa, como se diz aqui na minha terra. A ralé que faz  passeatas a favor da liberação dessa porcaria tem algumas metas. A primeira delas é esconder o grande número de médicos, principalmente psiquiatras, que usam essa imundície e não gostariam de ser presos ou considerados viciados. A segunda é esconder a falência total da rede hospitalar brasileira no que se refere à capacidade de internar e tratar pessoas viciadas em qualquer tipo de coisa, e a terceira é alegrar um tipo específico de especialista da LBB. Algum, ou alguma, idiota estudante de socio-psico-antropo-filosofia da UFRGS ou da USP (só para não mencionar a Universidade Brasileira inteira) que pensa que drogas combinam com uma produção intelectual séria. Eu poderia me deter nas outras razões que citei, mas é sobre essa última razão a favor da liberação da maconha que vou escrever agora para terminar o texto e não cansar vocês. Quem sustenta que legalizar esse lixo vai acabar com a violência não vai ter reposta aqui – seria agredir a inteligência do meu leitor..rss..rss.
Existe um certo tipo de “intelectual” brasileiro que pensa que filosofar combina com “expandir a  cabeça”. Uma determinada  especie  de idiota que acredita que “estados alterados de consciência” são possibilidades reais para uma filosofia que se leve a sério. Esse tipo de criatura vem engrossando as marchas da maconha em todo mundo ocidental. Vivendo em 2013 e acreditando que está em pleno 1968 o filósofo-maconheiro encontra nas suas “viagens” a desculpa para falta de estudo e para uma produção acadêmica séria. Nem de longe esse tipo de gente é exclusivo do Brasil mas duvido que em algum lugar do mundo tenham o apoio governamental que recebem aqui.
Pobre Unidiversidade Brasileira, coitada da nossa Psiquiatria da Fumaça e infelizes dos nossos Filósofos-Naturais! Vivendo, como disse Lobão, em  plena Ditadura da Alegria, o país segue “chapado”..segue marchando com os maconheiros, com as “vadias”, com o MST e o movimento GLS, sempre com o CNPQ do B e as infinitas ONGS picaretas por trás. Dinheiro que falta para saúde, educação e segurança, desviado por criminosos com aura de progressistas – ambiente perfeito para Sócrates ou qualquer filósofo sério ser esquecido e para o Planet Hemp, finalmente,  escrever o novo Hino Nacional Brasileiro.

Porto Alegre, 26 de maio de 2013.

Dr.Milton Pires
Médico em Porto Alegre - RS
cardiopires@gmail.com

sábado, 25 de maio de 2013

A MARCHA DAS VADIAS.


Definição de vadia: Adj. aplicável ao Subs. Mulher. Toda aquela mulher que não faz um mínimo de esforço para cuidar do marido e dos filhos, toda aquela que despreza o estudo e a educação. Mulher corrupta que usa o corpo para conquistar posição no trabalho e que usa o sexo como arma na sociedade. Fêmea humana que nunca soube o que é pegar um ônibus lotado ou esperar numa fila do SUS. Moça ou velha que debocha de Deus e de qualquer forma de crença noutra vida. Mulher falsa e traiçoeira que submete qualquer valor moral a mais antiga das leis brasileiras – A Lei de Gérson (Leve vantagem em tudo, certo?)

Primata das faculdades de filosofia, sociologia e história da USP e da UFRGS capaz de pensar que Focault tem o mesmo valor que Sócrates e Che Guevara é melhor que Jesus Cristo. Pessoa supostamente adulta e do sexo feminino que,  quando trabalha e não tem filhos debocha sarcasticamente da semelhante que tem filhos e não trabalha. Mulher que não tem noção de família e que passa a vida inteira competindo com o homem para finalmente se igualar a ele naquilo que nós, homens, temos de pior. Representante do sexo feminino que no seu ativismo perdeu a noção do carinho com os filhos e do companheirismo com o marido. Mamífera, bípede, frequentemente ativista de movimentos sociais que são filhotes de partidos genocidas. Militante política capaz de pensar que Fucking e Cooking são duas cidades da República Popular da China não merecendo o respeito que merecem de todo coração tanto a mãe de família quanto a prostituta.
Apologista do aborto e da vida sozinha. Moça que perdeu aquilo que a faz ser amada por qualquer  homem – a capacidade de encantar...

Mulheres de todo Brasil – Graças a Deus nenhuma de vocês estava naquela marcha hoje em São Paulo ..

Um beijo,

Milton Pires.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O BRASIL ENQUANTO A NOITE NÃO CHEGA

Título da obra  de Josué Guimarães, Enquanto a Noite não Chega foi publicado em 1978. Nem de longe é um romance que possa ser considerado “comum” na nossa literatura. Aborda temas que estavam, e estão até hoje, muito distantes daqueles que se tornaram best sellers ou cânones da academia – os dois únicos critérios utilizados para  avaliar a produção literária ocidental..rss..rss
O livro trata fundamentalmente do tempo e da morte. Foi escrito em plena época do regime militar,  quando ainda existia no Brasil alguma referência em termos de certo e errado, e algum paradigma a orientar a sociedade no sentido da transcendência destes valores. Jamais naqueles dias  alguém pensou que o fim de um tipo de governo poderia significar o fim de um tipo de moral.
Na década de 1970 nenhum brasileiro poderia acreditar que crucifixos seriam retirados dos tribunais por uma demanda das lésbicas, que chutar cachorros tivesse a mesma repercussão na mídia  que queimar dentistas, ou que as pessoas teriam vagas na universidade garantidas pela cor da pele. Duvido que o doente mental mais grave solicitasse ao seu psiquiatra a vinda de 6000 médicos de outros países, ou que as famílias dos criminosos mais perversos tivessem um auxílio financeiro do governo enquanto seu “ente querido” cumprisse pena. Não me lembro, de ter visto algum personagem do Trapalhões, do Chico Anísio Show, ou do Viva o Gordo sugerir que cirurgia de mudança de sexo (é esse o nome politicamente correto?) fosse feita gratuitamente com dinheiro público, ou que uma criança pudesse ser educada por dois marmanjos como se eles fossem seu pai e sua mãe. Não me recordo de nenhum general brasileiro alcoólatra, semi-analfabeto ou fotografado lendo livros de “cabeça para baixo”. Não havia hospitais com médicos chefiados por enfermeiras, os professores não levavam surras dos alunos, e os policiais não moravam nas mesmas vilas que os traficantes com quem trocavam tiros...
Quando penso em tudo isso tenho plena consciência de que olho para o passado e vejo – até certo ponto - aquilo que gostaria que o presente fosse. Sinto, como a maioria das pessoas, uma saudade infinita da infância ..e de um tempo que já não volta mais. Entendo também que muita gente que está agora lendo o que escrevo pode lembrar com muita razão que nem tudo “era um mar de rosas”. Sobre este ponto não há discussão. Além de Deus, nada ao meu ver é eterno mas ainda assim acho que houve uma, talvez apenas uma, perda que foi irreparável – a da nossa capacidade de indignação! Essa não existe mais há muito tempo. Quebrou-se a espinha dorsal do país quando se destruiu,  aos poucos e metodicamente, num trabalho começado ainda na década de 1960, o conceito de Nação e a crença sincera num Deus apolítico..numa força superior e eterna, capaz de ser a fonte do amor gratuito e da caridade tão necessária a honestidade intelectual e esperança de um povo.
Desse processo todo nada mais restou além da pobre família brasileira. É ela agora, sozinha, quem tem que fazer também o papel de um Deus e de uma Pátria que há muito foram esquecidos. Dia após dia ela vai sobrevivendo a tudo e a todos – não da caridade de quem a detesta (como cantou Cazuza) mas de quem a ignora. Nos lares mais pobres do Brasil ela ainda é contra a liberação das drogas, faz oposição cerrada ao aborto e ao casamento gay e vê, com olhos de gente simples e  desconfiada , esse “tal de aquecimento global”.
Isolada  num país moralmente tetraplégico, a família brasileira espera quieta a sua hora chegar..mais ou menos como os personagens de Josué Guimarães - Seu Eleutério e Dona Conceição – sempre vigiados pelo amigo coveiro, sempre lembrando um tempo que já passou – eternamente esperando...
É o próprio Brasil que espera.. Enquanto a Noite não Chega..

para o meu pai..

Porto Alegre, 23 de maio de 2013.
cardiopires
Enviado por cardiopires em 23/05/2013
Reeditado em 23/05/2013
Código do texto: T4305888
Classificação de conteúdo: seguro

O BRASIL ENQUANTO A NOITE NÃO CHEGA


Título da obra  de Josué Guimarães, Enquanto a Noite não Chega foi publicado em 1978. Nem de longe é um romance que possa ser considerado “comum” na nossa literatura. Aborda temas que estavam, e estão até hoje, muito distantes daqueles que se tornaram best sellers ou cânones da academia – os dois únicos critérios utilizados para  avaliar a produção literária ocidental..rss..rss

O livro trata fundamentalmente do tempo e da morte. Foi escrito em plena época do regime militar,  quando ainda existia no Brasil alguma referência em termos de certo e errado, e algum paradigma a orientar a sociedade no sentido da transcendência destes valores. Jamais naqueles dias  alguém pensou que o fim de um tipo de governo poderia significar o fim de um tipo de moral.
Na década de 1970 nenhum brasileiro poderia acreditar que crucifixos seriam retirados dos tribunais por uma demanda das lésbicas, que chutar cachorros tivesse a mesma repercussão na mídia  que queimar dentistas, ou que as pessoas teriam vagas na universidade garantidas pela cor da pele. Duvido que o doente mental mais grave solicitasse ao seu psiquiatra a vinda de 6000 médicos de outros países, ou que as famílias dos criminosos mais perversos tivessem um auxílio financeiro do governo enquanto seu “ente querido” cumprisse pena. Não me lembro, de ter visto algum personagem do Trapalhões, do Chico Anísio Show, ou do Viva o Gordo sugerir que cirurgia de mudança de sexo (é esse o nome politicamente correto?) fosse feita gratuitamente com dinheiro público, ou que uma criança pudesse ser educada por dois marmanjos como se eles fossem seu pai e sua mãe. Não me recordo de nenhum general brasileiro alcoólatra, semi-analfabeto ou fotografado lendo livros de “cabeça para baixo”. Não havia hospitais com médicos chefiados por enfermeiras, os professores não levavam surras dos alunos, e os policiais não moravam nas mesmas vilas que os traficantes com quem trocavam tiros...
Quando penso em tudo isso tenho plena consciência de que olho para o passado e vejo – até certo ponto - aquilo que gostaria que o presente fosse. Sinto, como a maioria das pessoas, uma saudade infinita da infância ..e de um tempo que já não volta mais. Entendo também que muita gente que está agora lendo o que escrevo pode lembrar com muita razão que nem tudo “era um mar de rosas”. Sobre este ponto não há discussão. Além de Deus, nada ao meu ver é eterno mas ainda assim acho que houve uma, talvez apenas uma, perda que foi irreparável – a da nossa capacidade de indignação! Essa não existe mais há muito tempo. Quebrou-se a espinha dorsal do país quando se destruiu,  aos poucos e metodicamente, num trabalho começado ainda na década de 1960, o conceito de Nação e a crença sincera num Deus apolítico..numa força superior e eterna, capaz de ser a fonte do amor gratuito e da caridade tão necessária a honestidade intelectual e esperança de um povo.
Desse processo todo nada mais restou além da pobre família brasileira. É ela agora, sozinha, quem tem que fazer também o papel de um Deus e de uma Pátria que há muito foram esquecidos. Dia após dia ela vai sobrevivendo a tudo e a todos – não da caridade de quem a detesta (como cantou Cazuza) mas de quem a ignora. Nos lares mais pobres do Brasil ela ainda é contra a liberação das drogas, faz oposição cerrada ao aborto e ao casamento gay e vê, com olhos de gente simples e  desconfiada , esse “tal de aquecimento global”.
Isolada  num país moralmente tetraplégico, a família brasileira espera quieta a sua hora chegar..mais ou menos como os personagens de Josué Guimarães - Seu Eleutério e Dona Conceição – sempre vigiados pelo amigo coveiro, sempre lembrando um tempo que já passou – eternamente esperando...
É o próprio Brasil que espera.. Enquanto a Noite não Chega..

para o meu pai..

Porto Alegre, 23 de maio de 2013.
cardiopires

domingo, 19 de maio de 2013

QUEIMAR DENTISTA OU CHUTAR CACHORRO? A IMPRENSA DO BRASIL



A resposta para a pergunta do texto é – claro que nenhum dos dois, “né Bial”?? Mas como provocação inicial ajuda a despertar o interesse das pessoas.

Cinthya Magaly Moutinho de Souza, 47 anos, dentista, foi queimada viva em seu consultório, em São Bernardo do Campo, na região do ABC Paulista, no último dia 25 de abril. Dias depois começou a circular nesta grande lata de lixo virtual chamada Facebook o vídeo de uma doente mental espancando um filhote de poodle aqui em Porto Alegre.
Respondam com toda sinceridade – qual das duas notícias causou maior “repercussão” (seja lá o que isso queira dizer) na mídia nacional? Por favor não argumentem que a primeira foi o relato de algo que já havia acontecido e que a segunda foi uma barbaridade gravada e transmitida quase “em tempo real”
Há tempo venho afirmando, ainda que para desgosto de vários jornalistas sérios que existem no país, que QUASE TODA imprensa brasileira está pautada por uma “agenda politicamente correta”. Eu não  seria tolo a ponto de afirmar que “Facebook” é  jornalismo verdadeiro . Para ser sincero não sei nem como definir essa coisa – para mim não passa de Big Brother Brasil levado a internet – mas tudo bem; essa porcaria de rede social não é o assunto do texto. Por outro lado seria muita ingenuidade pensar que a repercussão que aquela maldade com o cachorro teve nela não influenciou (e muito) os grandes jornais. Insisto, e não vou mudar de idéia, que todos os crimes assim o são definidos por que estão previstos em lei mas (e aí o objetivo do artigo) vivemos numa época em que alguns deles são mais abomináveis do que outros. Afirmo  haver sido criada uma agenda politicamente correta para nos sentirmos chocados. Uma criança brasileira pobre morrendo num hospital imundo do Rio de Janeiro, só para dar um exemplo, não é tão “chocante” quanto um ciclista, seja lá de que classe social for, atropelado numa passeata de final de semana. Um filhote de foca agonizando numa praia gaúcha é infinitamente “mais sério” do que fraude com a verba da merenda escolar. Um gay que levou uma surra na saída de uma balada em São Paulo pode levar o país “as lágrimas” enquanto um policial militar paraplégico após um tiroteio na Baixada Fluminense é esquecido em três dias.
Esse é o fenômeno que está acontecendo na sociedade e no jornalismo brasileiros! Gostaria de saber quando algum professor universitário vai ter tempo e disposição para escrever sobre isso de maneira mais séria que um simples médico aqui de Porto Alegre. Enquanto espero, vou continuar assistindo esse festival de “crimes do século XXI”, transmitidos pelas redes sociais, mudarem os nossos valores mais profundos sobre a gravidade que merece ser atribuída aquilo que nos apresentam.
Não tenho mais nenhuma dúvida alguma: quem queima pessoas, estupra e assalta no Brasil de 2013 ainda poderá ser considerado um “excluído social”. Alguém que “não teve educação” nessa “sociedade neoliberal” e pode até ter sua pena reduzida. Suas razões não se justificam, mas a filosofia do Facebook compreendê-las, né?
Para quem chuta cachorro, não! Esse é um criminoso irrecuperável! Deveria ser colocado em prisão de segurança máxima e esquecido lá para o resto da vida!
Pobre país que tem uma imprensa dessas..a imprensa do aquecimento global, dos ciclistas e do casamento gay..a imprensa dos médicos cubanos e das cotas raciais..a imprensa em que notícia sobre queimar uma pessoa é muito menos que grave que chutar um cachorro – a Imprensa do Brasil!

Porto Alegre, 19 de maio de 2013.
cardiopires

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A Medicina Humilhada


Durante toda a última semana a mídia inteira tem se preocupado com o tema dos médicos cubanos. É um desses raros momentos em que se percebe aquela que, em texto anterior, defini como uma das maiores características do brasileiro – a arte de falar sobre o que não sabe. Senão; vejamos: apresentadoras loiras de programas de TV, comentaristas de futebol, prefeitos..Não importa quem você seja mas basta invocar o “sofrimento do povo” para ter o direito de enfurecer-se com a situação de saúde no Brasil.
Houve um tempo em que os medíocres sabiam (mesmo na sua mediocridade) permanecer em silêncio. Reconhecia-se a história das pessoas, seu esforço, e seu trabalho. Não ensinava-se uma sociedade inteira a pensar que pobreza e miséria eram reflexo de uma luta de classes e nós vivíamos muito mais próximos da ideia de que colhemos o que plantamos.
Alguns dias atrás escrevi sobre a responsabilidade de certos colegas na ideia de trazer os cubanos para o Brasil. Mostrei quem eram estas pessoas dentro das faculdades de medicina. Estabeleci o “perfil”, como gostam de dizer os psicólogos, deste tipo de gente e desmascarei a hipocrisia da “new left brasileira”. Hoje o recado é mais curto: abrindo uma destas coleções de anúncios comerciais, reportagens sobre o aquecimento global e apologia do homossexualismo que são os jornais brasileiros me deparei com o “comentário perfeito” sobre a vinda dos cubanos ao país – um sujeito aqui de Porto Alegre que é apresentado como “formador de opinião” foi o seu autor. Disse esse cidadão aquilo que considero uma “pérola” do lugar comum em termos de manifestação sobre o tema – … Mas tem de haver médicos em todos os locais, até nos indesejados pelos médicos brasileiros. Entonces, que vengan los cubanos! Porque o que importa é a Saúde.
Querem saber por que uma frase assim é capaz de fazer tanto sucesso? Explico: é por que quem a pronuncia afirma, aos brados e cheio de razão, que qualquer atendimento é melhor do que nenhum!Vocês, que gastaram seu tempo me lendo até aqui, têm dúvida de que isso é verdade? Faço uma proposta para resolver a questão: imaginem que estão às 2h da manhã de um dia de semana, esperando quase 12 horas para serem atendidos numa dessas espeluncas chamadas pronto-atendimentos e com um filho doente nos braços. Pergunto a cada um – vocês acham que seu filho, pai ou mãe (só para não citar vocês mesmos) ficariam conformados com “qualquer atendimento” ou buscariam aquilo que há de melhor na medicina local? Aí está a resposta – “qualquer atendimento” é melhor do que nada para os “outros”; jamais para nós e nossas famílias, né? Até onde eu sei, para nós mesmos e para aqueles que amamos, queremos sempre o melhor possível. Negar o mesmo às outras pessoas vai muito mais longe do que ser contra os médicos – é negar a própria natureza cristã da sociedade em que vivemos.
Jamais esqueçam disso quando lerem a escória da imprensa brasileira defendendo, ao lado dos seus patrões federais, a vinda dos médicos de Cuba. Não tenham também a tentação de cair na armadilha daqueles que afirmam – mas meu amigo, nem toda população pode ter o que há de melhor na Medicina a seu dispor. Esse tipo de gente não tem o compromisso legal de dizer onde está o “melhor” e quando esse “melhor” vai fazer a diferença entre a vida e a morte. A ralé que defende a importação de médicos não tem o mínimo interesse na vida das pessoas doentes. É aos próprios doentes e aos médicos brasileiros que essa questão diz respeito. Imploro como médico formado há quase 20 anos: não fiquem contra nós! Vocês não precisam do “papai Lula” e da “mamãe Dilma” para cuidar do vocês quando ficarem “dodói”. Tudo isso é mentira e desespero político de gente que viu que, no seu delírio comunista, acabou com a estrutura hospitalar do país, que não pode mais esconder que as pessoas estão morrendo, e que nós médicos temos MEDO de trabalhar fora das grandes cidades.
Foi provavelmente um médico brasileiro quem primeiro olhou para vocês quando nasceram e quem, se Deus quiser, vai estar com vocês na hora da morte. Não aceitem a mentira do Governo e dos prefeitos mesmo que estejam esperando atendimento há anos. Trazendo os cubanos vocês NÃO VÃO ter seus problemas atendidos e a nossa medicina vai ser humilhada perante todo o resto do mundo..

Porto Alegre, 16 de maio de 2013.





terça-feira, 14 de maio de 2013

Bem vindos, cubanos ! Adeus, Médicos !


Meus caros colegas, essa pretende ser a nossa “Carta Nacional de Despedida”. 6000 “colegas cubanos” estão chegando para salvar o Brasil e provar o nosso fracasso. Sim; fracassamos! Fomos derrotados na missão que assumimos quando juramos, cada um de nós, ter um mínimo de respeito pela própria Medicina. É a primeira vez na história do Brasil que um governo declara, através da “importação” de um determinado tipo de profissional, a falência de uma classe inteira. Apesar disso é necessário ser muito hipócrita para afirmar que ele, governo, fez isso sozinho.
Essas linhas vão além do tradicional lamento que agora se espalha na mídia por parte dos médicos. Elas querem mais: pretendem ser um mea-culpa, um esclarecimento à população no sentido de dizer que fomos nós mesmos, os médicos, alguns dos idealizadores da vinda dos cubanos. Vocês não os conhecem mas eu sei quem são esses “colegas”.
O recado a seguir vai para esta verdadeira corja que habitava as faculdades de medicina nos anos 70 e 80 ! É para vocês que escrevo agora, “cumpanheros”. Lembro de vocês nos primeiros anos da faculdade sempre fumando maconha e “colando” em todas as provas...Lembro das viagens para o ENEM (Encontro Nacional dos Estudantes de Medicina) feitas com o dinheirinho que as turmas juntavam para as formaturas. Não esqueço dos trabalhos acadêmicos ridículos, sempre ligados a “medicina comunitária” apresentados em congressos no estrangeiro provando que “criança pobre” tem “mais diarréia” e ofendendo quem faz saúde pública pra valer...Seu bando de picaretas ! Vocês “matavam aula na faculdade” de medicina para acompanhar caminhadas com o Lula no centro de Porto Alegre em 1989! Eu sei disso porque estava lá, junto com vocês ! Vocês defendem o SUS com unhas e dentes e tem seus filhos atendidos pela UNIMED e pelo Bradesco Saúde. Vocês são a favor de pronto-atendimentos e trabalham no Hospital Sírio Libanês! Vocês participaram de reuniões do PT no Hotel Sheraton e no Transamérica, seus hipócritas ! Vocês colam adesivos do Lula nos seus Mercedes e nas BMW ! Deus me livre de me considerar “colega” de gente como vocês..Vocês falam bem da Dilma caminhando na Quinta Avenida ou visitando a Torre Eiffel...Seus filhos estudam nas melhores escolas de São Paulo, né? Infelizes de vocês que buscam a verdade num livro de Paulo Coelho e pensam que Sócrates foi só um “grande jogador do Corinthians”.
A quem vocês querem enganar, Doutores Petralhas? Ou será que vocês pensam que vão conseguir convencer a população inteira que a Dilma teve esta idéia sozinha? Pensam que eu não lembro de vocês visitando Cuba? Foram e voltaram viajando de primeira classe e tomando Chivas Regal, não foram? Devo dar meus parabéns a todos vocês! Sem dúvida venceram naquilo que se propuseram – fazer um país, uma imprensa e uma universidade inteiros acreditarem que “fazer saúde” é “fazer revolução social”.
Vocês, seu bando de vigaristas, são os responsáveis únicos pela chegada dos médicos cubanos! Vocês não perderam somente a vergonha necessária para ser médico, perderam também aquela necessária para ser brasileiro! Humilharam uma classe inteira, traíram tudo aquilo que juraram, e esqueceram tudo que aprenderam. Vocês pertencem aquele mundo nebuloso, rico em sombras e no qual vagam as almas dos que não são suficientemente bons para viverem na luz, nem tão maus ao ponto de afundarem rápido na escuridão – vocês vivem no mundo do interesse próprio e do Partido- Religião que vocês fundaram em 1980. Aconteceu na vida de vocês aquilo que pode haver de mais “podre” na vida de um médico brasileiro – vocês se tornaram petistas!
Vocês estão dando o desgosto a todos os médicos do país de serem declarados incompetentes por um governo de bandidos e não são dignos do Dr. que levam na frente do nome. Dentre todas as profissões do Brasil são a vergonha da nossa sociedade pois até os traficantes e as prostitutas têm vergonha e “consciência de classe suficiente” para não aceitarem estrangeiros no seu ramo! Pobre do país que confiou em gente como vocês, cumpanheros...Vocês, que nasceram aqui, que devem tudo que tem ao país, cuspiram na bandeira nacional e humilharam toda nação perante o mundo.
Bem vindos cubanos ! Adeus, médicos...


Porto Alegre, 14 de maio de 2013.

sábado, 11 de maio de 2013

Os Intelectuais – Um Brasil de Eternos Imbecis


Recentemente, numa das aulas do curso de espanhol que venho (talvez me preparando para chegada dos colegas médicos cubanos..rss) fazendo, surgiu um acalorado debate entre a turma. Queria o nosso professor, natural da Andaluzia, saber se no Brasil os intelectuais são suficientemente valorizados na sua atividade profissional. Respondi, causando “verdadeiro horror” nos colegas brasileiros, que não sabia como abordar a questão pois acreditava (e continuo acreditando) que não existem intelectuais no país faz muito tempo.. A reação da turma aumentou mais: perguntaram como podia eu dizer algo assim. Fizeram questão de lembrar que temos Chico Buarque, Luís Fernando Veríssimo e tantos outros dignos de receber esta designação: intelectuais. Fiquei perplexo! A primeira pergunta que fiz  foi – o que vocês entendem pelo termo intelectuais? Não houve um só colega capaz de fazer a distinção correta entre ser um verdadeiro intelectual e alguém com “cultura geral”. Pois bem, nessas rápidas linhas, vamos tentar falar um pouco sobre a diferença e, como dizem os açougueiros, vamos por partes.

Na Europa dos séculos XII e XIII o conceito de universidade não era nem de perto algo próximo da vida do cidadão comum. Lugares como Bolonha, Paris e Oxford (apenas para citar as 3 mais antigas instituições de ensino superior) estavam tão distantes da realidade de um europeu como a NASA está de um brasileiro hoje.  O que havia de comum nessas escolas não era o que ensinavam, mas sim o perfil cultural de quem entrava nela – gente e mais gente que vivia, como diria Carl Sagan, num mundo assombrado pelos demônios. Em outras palavras, não havia forma de cultura que pudesse escapar da visão religiosa da sociedade. Seria exagero dizer que os alunos todos entravam na universidade com uma visão semelhante a respeito da vida? Todos eles acreditavam em Deus e viviam aterrorizados pela perspectiva do pecado e de uma eternidade no inferno. Nesse sentido, cabia a Universidade receber um “monte de gente que pensava igual” e mandar para o mundo um “monte de gente pensando diferente”. Foi para isso que a chamada cultura superior se organizou nas universidades. Dessas instituições saíram pessoas como Paracelso, Nicolau Copérnico, São Tomás de Aquino e tantos  outros que mudaram a História. Isso foi possível porque lhes foi oferecido um ambiente de trabalho e estudo onde puderam exercitar uma razão livre. Suas idéias eram revolucionárias pelo fato de não partirem de nenhum tipo de cosmovisão. A história jamais foi para esses homens um gigantesco mecanismo, complexo como um grande relógio, a ser desmontado e compreendido através de regras e leis imutáveis – duvido muito que  Hegel tivesse lugar de professor nos primórdios da universidade. É nessa, e absolutamente somente nessa hipótese, que pode alguém se tornar verdadeiramente um intelectual.
Quando afirmei aos meus colegas de curso que  não existiam mais intelectuais brasileiros há muito tempo era isso que eu queria dizer. Era à morte de um pensamento brasileiro verdadeiramente original que eu estava me referindo. Isso aconteceu no país  em função da apropriação total  da razão livre por um partido político. Afirmo (peremptoriamente como gosta de dizer um certo governador gaúcho) não haver espaço para produção acadêmica dentro da universidade brasileira nas áreas de história, filosofia e ciência política, para aqueles que não tem uma interpretação marxista da realidade. Filiados ou não a essa organização criminosa chamada Partido dos Trabalhadores,  os estudantes até podem buscar lugares como a UFRGS, USP ou UNICAMP com idéias diferentes mas todos, ou a grande maioria, vão sair de lá lá pensando quase sempre a mesma coisa – Deus não existe, liberar as drogas pode ser algo bom, a Terra está aquecendo, viva o casamento gay e as ONGS, e por aí vai..
Em texto anterior em que citei The Closing of American Mind e Tenured Radicals eu expliquei como esse trabalho se deu de forma metódica e constante a partir da década de 1960. Seu resultado pode ser visto hoje numa sociedade em que ser intelectual é ter escrito alguma letra de samba durante a Ditadura Militar ou ter uma coluna na Revista Playboy. É essa  nação que jamais ouviu falar em Gilberto Freire, que não tem a mínima idéia de quem seja Otto Maria Carpeaux, Mário Ferreira do Santos ou Olavo de Carvalho que acredita que Paulo Coelho é tão importante quanto Machado de Assis ou que Caetano Veloso tem a dimensão de Heitor Villa Lobos.
Pobre país que perdeu a única referência importante que deve ter quando busca a verdade – a honestidade dos seus intelectuais. Sem ela ainda vamos fazer grandes Copas do Mundo, vamos continuar com mulheres maravilhosas e grandes carnavais encantando todo resto do planeta e sendo para sempre eternos imbecis.

Porto Alegre, 11 de maio de 2013

cardiopires@gmail.com
cardiopires

domingo, 5 de maio de 2013

Charlie Parker, Dizzy Gillespie e a História Mínima


Ontem, sábado 4 de maio, fiz com meu filho de 9 anos um programa que milhares de pais pelo Brasil devem ter feito: fomos ao cinema assistir o Homem de Ferro 3.

Aguardando o início do filme sucediam-se aquelas sequencias de anúncios, trailers de novas produções e entrevistas que acabam com a paciência de qualquer um. Eis que, subitamente, aparece na tela o Sr. Luís Fernando Veríssimo.
Falando baixinho, pausadamente, anunciava seu programa numa nova rádio online – a Mínima FM. Dizia ele que uma das maiores emoções de sua vida foi, quando em Nova York, assistiu uma apresentação em que tocaram juntos Charlie Parker e Dizzy Gillespie. Não é preciso conhecer muito jazz para saber quem são os dois.
Realmente, para quem gosta do estilo como eu, a sensação deve ter sido única. Até aí tudo bem...nada haveria de novo na chamada para o seu programa não fosse a comparação que fez – no sentido da importância história desta reunião – com uma das maiores fraudes da História:  a viagem de Lênin rumo à famosa Estação Finlândia.
Acredito que o nosso representante dos socialismo dos pampas não teve tempo de,  entre um exercício de saxofone e uma coluna para Revista Playboy, ler Lênin – A Biografia Definitiva (Ed. Bertrand Brasil, 2000). Na página 302 fica muito claro que o herói de Luís Fernando viajou com a licença do Kaiser não só em troca da libertação de prisioneiros alemães feita pelo governo russo que queria derrubar mas também para acelerar a saída da Rússia da Primeira Guerra Mundial através de uma revolução Bolchevique.
É uma pena que alguém que se apresenta à nação como representante da intelectualidade se preste a fazer uma comparação tão absurda como a que fez Veríssimo. Charlie Parker e Dizzy Gillespie não mereciam ter sua jam session comparada a uma farsa montada pelo Governo Alemão para levar a Rússia à tragédia de uma Guerra Revolucionária.
Esses dois músicos passaram toda sua vida encantando as pessoas que os escutavam e mudaram toda história do jazz. Lênin foi o assassino idealizador de uma sociedade em que pereceram milhões  e que deixou como único legado as mentiras do Sr. Luís Fernando e do Partido que assassina prefeitos, esconde dinheiro nas cuecas e compra o Congresso Nacional. Não é só a Rádio do Veríssimo que é “Mínima” - sua noção de Verdade na História também o é.

Porto Alegre, 5 de maio de 2013.

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Enviado por cardiopires em 05/05/2013
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