"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

LITERATURA NO BRASIL DO PT


Diga que não acredita em coisa alguma, relate as conversas com o psicoterapeuta sobre o seu divórcio, e descreva alguma viagem que fez à Europa. Você vai entrar para a Academia Brasileira de Letras se o PT continuar no poder em 2014.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

HIV-PT


O PT e o HIV são transmissíveis mas o segundo pode ser prevenido e seus efeitos controlados. Não existe camisinha contra burrice nem coquetel anti-fanatismo. Uma pessoa com AIDS pode guardar sua dignidade e sua inteligência de uma maneira que o mais sadio dos petistas jamais conhecerá. Me causa nojo, como médico, ver a esquerda brasileira aproximar-se desses pacientes criando ONGS e grupos que só servem para roubar tudo que puder para o partido. Os pacientes com AIDS podem morrer aos poucos, mas os petistas são mortos vivos. (Milton Pires)

REPROVADOS E DESAPARECIDOS – CRIANÇAS NO CFM




Muito interessante a nota emitida ontem, dia 29, pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Depois de 91% dos candidatos (dados do próprio CFM) serem reprovados no exame de Revalidação o CFM “desconfia” que o Programa Mais Médicos possa ser alternativa para que esses profissionais passem a exercer a profissão no Brasil.
Pergunte-se: e se isso for verdade? E daí? Qual o poder que tem o Conselho sobre esses profissionais? Não foi o próprio presidente, Roberto Luiz D'Ávila, que aceitou abrir mão dos registros desses médicos concedendo essa prerrogativa ao Ministério da Saúde? Não foi o próprio CFM que emitiu nota em 10 de outubro afirmando que nesse acordo havia alcançado para os médicos a “conquista de uma carreira pública”??
Existe, em toda ditadura, uma necessidade de falsa oposição...um mínimo de critica e de ataques através da imprensa e das instituições que possa garantir a falsa idéia de normalidade...a impressão de que as coisas não vem “de cima pra baixo”..e a aparência de independência de opinião. Nada mais nesse país escapa ao controle do PT. Quem não o diz abertamente o faz de maneira velada sustentando em frases de lugar comum o relativismo que tudo inviabiliza e a complacência moral que confere uma aparência de modernidade.
Quando vem a público com um texto hipócrita como o mencionado no início é esse o jogo que faz o CFM..é a isso que se presta divulgando a imagem de independência de pensamento da qual ele mesmo aceitou abrir mão. Nesse processo nada há de particular no que se relacione à Medicina. Questões polêmicas dentro da sociedade passam a ser discutidas à luz de um ordenamento moral maior e implícito no discurso..e de uma lógica que outro dia dissemos possuir um caráter “transversal”. Questões como racismo, xenofobia, comportamento sexual e crenças religiosas “entram” como ponto de referência nos debates mais absurdos. Nada se pode mais discutir sem antes saber com certeza em qual dos campos encontra-se o debatedor. Ao mesmo tempo que preocupa-se com médicos que não passaram no exame de revalidação, o CFM apresenta em sua página com letras garrafais a preocupação do Conselho com crianças desaparecidas e divulga a campanha de “humanização na Medicina” - anestesia perfeita no momento da morte da profissão no Brasil.
Não houve um só “desconstrucionista” dos anos 60 que não atacasse ferozmente a “ordem do discurso”..que não visse nela de forma implícita, a reprodução dos “valores dominantes” e a “lógica da exploração”. Fumaram maconha, fizeram passeatas, chamaram Mao Tse Tung de filósofo, acreditaram nas bobagens de Timothy Leary e chamaram de arte a picaretagem de Andy Warhol. Destruíram a própria possibilidade de um fundamento racional e ponto em comum num debate filosófico relativizando conceitos em nome da “LSDemocracia” e do fim da “opressão”. Nada sobreviveu...nada ficou...Referência moral alguma existe para nos socorrer pois tudo há que se questionar..tudo há que se discutir num mundo em que a única verdade é que a “verdade é relativa”.
Cada vez que escrevo, mais repetitivo me sinto...rsss. Não vejo um pensamento filosófico original que não deva ser hoje em primeiro lugar um “muro das lamentações” pois penso que o vazio deixado por 1968 não permite mais sequer um debate sério entre pensadores distintos. Conferências mesas redondas, e palestras em nada podem avançar quando debatedores se medem do ponto de vista moral e não de uma argumentação séria. Iniciar discussões dotado de fortes convicções é pecado mortal no meio acadêmico. Quem assim se apresenta já perde “pontos na saída” perante uma plateia que quer se sentir “perdida”..que aprecia a sensação de “nada saber” e que num processo de identificação puramente emocional elege um vencedor.
Nasceu a época dos “shows” de filosofia...dos intermináveis debates sem termos em comum, da oposição permitida e da necessidade de sentir-se em “sintonia” com valores maiores (seja lá o que isso queira dizer) que vão determinar se você, mesmo sem ter mencionado algum deles merece ser respeitado quando discute e se opõem a qualquer coisa..
Vejam o recado deixado pelo CFM: Nos respeitem pelo amor de Deus quando criticarmos o programa Mais Médicos. Nós somos médicos “bonzinhos” e em sintonia com a realidade. Desconfiamos dos reprovados, mas pensamos nos desaparecidos.. Somos as crianças do CFM

para o meu pai e para todos os pediatras que ainda falam português...


Porto Alegre, 30 de outubro de 2013

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

QUESTÕES PARA O ENEM


CANARINHO NA MINA DE CARVÃO.

Todo mundo, até eu mesmo, já se convenceu de que somos o “povo que deixa tudo para última hora”. Pagamento de imposto de renda, compra de entrada para futebol, inscrição no vestibular...a lista não tem fim. Deixar coisas para serem resolvidas perto do último minuto parece nos fazer bem. De certa maneira, imagino que ajuda a confirmar a aparência de povo “tranquilo” e que não se “estressa”, não é mesmo? Pois bem, afirmo que nossa capacidade de preocupar-se e propor soluções para o país está sujeita à mesma regra.
Sabem por que estou escrevendo essas coisas? Porque me parece que de repente a internet, através de blogs, hangouts, redes sociais ou seja lá o que for, ficou cheia de gente que percebeu que é uma urgência tirar o PT do poder no Brasil. Seguindo a tradição nacional, essas pessoas perceberam – na última hora – o que é esse partido e qual o risco que representa para liberdade. Agora começam as idéias: formar partidos novos, continuar com trabalho cultural, implorar pela intervenção militar...Vejam, não estou aqui fazendo a crítica delas. Não estou apoiando ou descartando soluções mas apenas observando de uma maneria muito clara que não se pode fazer – de outubro de 2013 ao final de 2014 – aquilo que o movimento revolucionário vem fazendo no Brasil desde 1968! Sei que parece óbvio escrever esse tipo de coisa mas mesmo assim é necessário.
O PT não vai sair do poder no Brasil em 2014. Poderá sair do governo; mas não do poder. A diferença entre uma coisa e outra é gigantesca e não vou, novamente, tocar no assunto. Digo ainda que, garantida sua presença no poder, o partido é capaz de inclusive abrir mão do governo já que, uma vez nele, uma série de coisas fica mais difícil de fazer do que quando se está na oposição.
Até aqui vimos essa gente tomar conta de todo poder Judiciário, livrar da cadeia imediata os réus do processo do mensalão e continuar governando por medidas provisórias. Vencidos fomos quando tentamos nos opor à entrega da saúde pública brasileira nas mãos de pessoas que sequer sabemos se são médicos e agora aproxima-se o “marco regulatório da internet”. Observem quanto tempo a mídia brasileira – quase toda ela afinada com o governo petista – deu às denúncias de espionagem no país. Vejam o número de reportagens extensas a respeito da indignação da Presidente Dilma e o cancelamento da sua visita aos Estados Unidos. Tudo isso foi feito para “preparar o clima”...para fazer com que as pessoas pensem que a censura é de fato necessária e que o PT quer proteger o cidadão brasileiro. Até quando as pessoas vão continuar caindo nesse tipo de conversa?
Há mais de um século atrás, quando mineiros desciam às profundezas das minas de carvão na Inglaterra, nenhum controle rigoroso havia sobre os vazamentos de gás nos depósitos subterrâneos...Além do risco de explosão, a intoxicação por monóxido de carbono era perigo constante. Preocupados com isso, os trabalhadores adquiriram o hábito de levar um canarinho numa gaiola. Mais sensível aos efeitos dos gases do que os seres humanos, enquanto o passarinho estivesse cantando sabia-se que era seguro continuar com as escavações. Seu silêncio ou sua morte indicavam perigo iminente e determinavam o momento de parar com o trabalho e retornar à superfície...
Sem querer ofender esses belos bichinhos, imagino que deveríamos pensar na imprensa brasileira como um deles..rss e lembrar que – gostando ou não de pássaros – eles podem nos salvar a vida. Somos duzentos milhões de mineiros de carvão a centenas de metros abaixo da luz e do ar puro. Foi o PT que nos enfiou nesse abismo. Por enquanto ainda respiramos..e o canarinho ainda canta na mina de carvão.

Para querida amiga Lúcia Nogueira Moraes..

Porto Alegre, 28 de outubro de 2013.

domingo, 27 de outubro de 2013

ARTIGO DE HEITOR DE PAOLA

SALVEM OS BEAGLES! MATEM OS FETOS!
HEITOR DE PAOLA
27/10/2013
Um grupamento humano atinge o auge da decadência quando a autofagia suicida se instala plenamente em seu seio. Em alguns casos são evidentes para o observador, noutros o impulso suicida social não é evidente, precisa ser descoberto sob uma camada de bondade e compaixão. Um exemplo dos primeiros foi a República de Weimar que, no dizer de John Steiner [1], chegou ao ponto em que a sociedade foi tomada por grande ansiedade (arruaças constantes das SA e dos comunistas, hiperinflação, desemprego, desmoralização dos valores religiosos e das instituições republicanas) que os indivíduos passaram a se preocupar com o significado e o propósito de sua própria existência.“Uma solução relativamente fácil e conveniente para satisfazer as prementes necessidades das massas em tempos de desorganização geral e desorientação (anomia), quando todas as soluções comuns falharam, é o escape para ideologias sobrenaturais”.Evidente que tal “solução sobrenatural” nada tem a ver com as religiões tradicionais: Steiner se refere à sobrenaturalidade de um homem ou de um partido. Desesperado por uma vida caótica, o homem sente-se dependente de uma força externa e superior a si mesmo encarnada em alguém que se ofereça como a ‘Providência’, como no caso Hitler, com quem se identifica e a quem segue cegamente. Esta busca sobrenatural nada tem a ver com procura de insight ou reconhecimento de sua existência sub specie aeternitatis, mas pelo contrário para obter poderes (terrenos) adicionais que tornem sua existência mais tolerável”. 
O Brasil já se parece muito com Weimar: as arruaças constantes conduzidas por “manifestantes pacíficos” que nada mais são do que a comissão de frente para depois entrar a bateria, batendo mesmo pra valer! E sempre foram, desde junho, não acreditem na balela de que começaram pacífica e espontaneamente contra tarifas de ônibus. Valores religiosos e morais são vilipendiados pela permissividade e deboche, instituições pervertidas – aqui o Reichstag não precisará ser queimado: seus integrantes já tocaram fogo em sua moral transformando-se numa quadrilha apadrinhada pelo Executivo e protegida pelo Judiciário. Forças Armadas e policiais obrigadas à cumplicidade mesquinha que só as desmoraliza.
O impulso homicida e suicida se esconde sob um manto de falsa dignidade: orgulho gay, uniões do mesmo sexo equiparadas às normais, dignidade dos professores, das prostitutas e até de ladrões, assassinos e arruaceiros santificados pelas “comissões de direitos humanos” da OAB e outras ONGs, e até compaixão por belos cãezinhos, baleias, micos leão dourado, pererecas, meio ambiente e o que mais queiram.
Assistimos há poucos dias um bando de “ativistas” – nome politicamente correto para terroristas, ladrões, invasores, quebradores de bancos, laboratórios e agências de automóveis - invadir um centro de pesquisa para salvar cães Beagle de maus tratos. Todas as evidências levam a crer que não havia maus tratos, os animais eram apenas usados para experiências laboratoriais que não podem ainda ser realizadas em anima nobili (alma nobre e não animal nobre). O termo se refere a experiências realizadas em seres humanos. A evolução de uma pesquisa laboratorial leva aproximadamente 25 anos e só depois de comprovada a possibilidade de testes finais em seres humanos com risco mínimo é que se pode passar então para a parte final da pesquisa. Em carta ao Globo[2], o pesquisador (Ph. D.) Octávio Menezes de Lima Júnior refere “que a experimentação animal é um mal necessário. Não existe forma satisfatória de substituir o uso animal em pesquisas sem interromper estudos fundamentais para o futuro da humanidade e para saúde e sobrevivência do ser humano. (...) Mas, caso os defensores árduos dos direitos animais insistam em defender essa tese (que fere os direitos humanos, o que, aparentemente para os "zooxiitas" importa menos que os direitos animais), sugiro que, sendo coerentes com essa idéia, sejam todos voluntários para tais testes, incluindo seus filhos e outros parentes na lista também”. Exatamente. Por que não se entregam voluntariamente a algum candidato a Dr. Mengele? 
O pior de todos os crimes, o aborto de fetos humanos é defendido em assembleias, passeatas e atos públicos – já se grita despudorada e tresloucadamente “abaixo o feto” – tudo sob o manto da digndade do “direito da mulher”. Todos têm direitos, menos os fetos humanos e os demais seres humanos que necessitam drogas bem testadas para se salvar de doenças fatais. 
Aborto e em breve a eutanásia – abaixo os velhos e doentes improdutivos! – somado ao impedimento de pesquisas e o estímulo a relações homossexuais estéreis. O que une tudo isto, senão um impulso suicida e homicida – ou melhor, genocida?
Para publicação no Jornal Inconfidência, Belo Horizonte, MG

sábado, 26 de outubro de 2013

APRENDEU A LIÇÃO, DOUTOR ROBERTO?



Inesquecível a lição que o Presidente do Conselho Federal de Medicina levou do Governo Federal. Não encontro outro adjetivo para descrever o que senti quando li a publicação da Lei 12.871 no Diário Oficial do dia 23 de outubro. A retirada do primeiro parágrafo do Artigo 16 acabou com a esperança de uma carreira para os médicos em nível federal. No dia 10 de outubro, o portal do CFM na internet publicava entrevista do Dr.Roberto Luiz D’Ávila em que o mesmo dizia ter sido uma “conquista” da classe médica a negociação em que, abrindo mão dos registros profissionais para estrangeiros, o CFM estava garantindo não só a carreira federal como a desistência do governo de criar o Fórum Nacional de Ordenação de Recursos Humanos na Saúde. De nada adianta, portanto, o CFM afirmar que não foi “traído”: foi sim, senhor Presidente, agora é tarde para disfarçar.
Triste é perceber que isso é só o início. Poucas pessoas entendem perfeitamente a diferença entre Programa e Projeto Mais Médicos e eu sinto curiosidade em saber quantos dos meus colegas se deram ao trabalho de ler por inteira a publicação da Lei no Diário Oficial.
A expressão a ser gravada nesse momento é “Contrato Organizativo da Ação Pública Ensino-Saúde”. Preparem-se pois dessa “coisa” ouviremos falar muito já que nela estará fundamentado poder capaz de colocar os secretários municipais de saúde numa posição em que “nunca antes nesse país” estiveram. Deles dependerá a decisão sobre onde abrir ou não as futuras faculdades de medicina. Também há que se ter cuidado de perceber como ficará a Residência Médica no Brasil já que, toda especialidade que não incluir um ano de “medicina petista” como pré-requisito, vai – por lei – facilitar a entrada do candidato dando uma nota inicial 10% maior aos que trabalharam com saúde pública.
Nada mais previsível e nada mais fácil de entender para quem percebe que, depois de 1978, começou-se ainda em plena ditadura militar a implantar um sistema de saúde marxista no Brasil. Passadas décadas o governo brasileiro percebeu que os médicos não são comunistas e que para corrigir esse “contra-tempo” só poderia lançar mão de três alternativas: a primeira seria obrigar todos os médicos brasileiros a trabalharem onde ele (o governo) quer. A segunda; inundar o país com médicos comunistas e a terceira modificar completamente a formação dos futuros profissionais no Brasil. Vejam que, privado da primeira alternativa, o Governo Federal lançou-se com toda força na implantação das outras duas.
Nada mais previsível do que a farsa de oferecer aos médicos um plano de carreira e depois publicar a lei sem cumprir a promessa. Alegações de que se trata de “matéria diferente” não vão faltar.Desculpas de que não é o momento para se discutir isso vão aparecer e – mais uma vez – lá se vai por água abaixo a nossa esperança. Remédio amargo para todo médico que faz acordo com políticos...Aprendeu a lição, Doutor Roberto?

Porto Alegre, 26 de outubro de 2013.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Aluno da Faculdade de Medicina de Santiago de Cuba EXPULSO por ser "contra-revolucionário"

fonte original em http://notalatina.blogspot.com.br/2013/10/aluno-da-faculdade-de-medicina-de.html?spref=fb


Quando escrevi pela primeira vez sobre a questão da medicina cubana e o convênio firmado entre o Brasil e Cuba para o programa “Mais Médicos”em maio deste ano, contei a história de “Ernesto”, um médico cubano amigo meu, que relatou como era a formação acadêmica em todas as universidades sob o regime dos Castro. Naquela entrevista Ernesto havia afirmado que nos três primeiros anos da graduação, os alunos recebiam aulas de doutrinação ideológica, sobre a revolução cubana, treinamento de guerrilha, etc.

Hoje eu recebo de uma amiga um documento de expulsão de um aluno do 2º ano da Universidade de Ciências Médicas de Santiago de Cuba, por haver cometido uma “falta muito grave”. Essa falta, conforme pode-se comprovar na foto do documento original que traduzo na íntegra, foi“manter uma atitude contrária aos princípios da revolução”, ou seja, o estudante pretendia estudar para ser médico e não agente comunista da ditadura. Fica assim provado, como tantas vezes denunciei, que a maioria dos médicos cubanos importados para o Brasil são “agentes revolucionários” mais do que médicos - quando o são, pois sabemos também que até auxiliar de limpeza já viajou como médica -, e que seu principal objetivo não é “curar doentes” mas espalhar o maldito regime comunista em nosso país. 

Os cubanos importados, seja de que profissão for, são antes de tudoREVOLUCIONÁRIOS, e isto você lerão no documento apresentado. Agora, o que vai acontecer (ou aconteceu) com esse estudante, já é fartamente sabido: escorraçado de TODO E QUALQUER curso universitário na Ilha por ser “contra-revolucionário”, provavelmente deve estar trancafiado em alguma masmorra inumana e miserável do criminoso regime que o governo brasileiro apóia e sustenta com o NOSSO dinheiro!

Leiam a íntegra do documento, com destaques em negrito feitos por mim, e tirem suas conclusões. Fiquem com Deus e até a próxima!

Tradução e comentários: G. Salgueiro

UNIVERSIDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS
SANTIAGO DE CUBA

RESOLUÇÃO Nº 1512-13

PORQUANTO: A Resolução Nº 143/98, com data de 5 de outubro de 1998, do Ministro de Saúde Pública, pôs-se em vigor o Regulamento Especial dos Estudantes do Destacamento de Ciências Médicas Carlos J. Finlay; e em seu artigo nº 50 faculta-se ao Reitor, a conhecer em primeira instância, das faltas qualificadas como Graves e Muito Graves.

PORQUANTO: Que na data de 11 de outubro de 2013, tive conhecimento da indisciplina cometida pelo estudante San Miguel Molina Cobas que cursa a carreira de Medicina no 2º ano nesta Universidade de Ciências Médicas de Santiago de Cuba, que mediante resolução Decanal nº 65 com data de 3 de outubro de 2013 se designou à comissão disciplinar na Faculdade de Medicina nº II que ao concluir elevou ao que resolve suas conclusões qualificando como falta Muito Grave.

PORQUANTO: Ficou provado que o estudante antes mencionado pelo órgão competente que o mesmo manteve uma atitude contrária aos princípios da revolução, realizando atividades tanto no centro como fora deste contra nosso sistema social.

PORQUANTO: Na tomada de decisão que mais adiante se exporá, levou-se em consideração que apesar de ser um bom estudante academicamente, manteve no centro atitude de falta de respeito aos princípios de nossa revolução, fato este que atenta contra as normas de ensino de nosso alto centro de estudo.

PORQUANTO: Prova de que tento valer-me consistente:

Informe da Comissão Disciplinar criada ao amparo da resolução decanal nº 65 com data de 3 de outubro de 2013. Entrevista com estudantes eAssembléia de Reafirmação Revolucionária efetuada em 4 de outubro de 2013.

PORQUANTO: Que o estudante incorreu na violação da disciplina tipificada de Muito Grave prevista no Artigo 27 da Resolução 143 do Ministério de Saúde Pública, inciso e): manter uma atitude contrária aos princípios revolucionários. Fazer manifestações notórias que evidenciam menosprezo à ideologia revolucionária, ou rechaço ao cumprimento dos deveres cidadãos de trabalhar e defender a pátria com as armas se for necessário, resolvendo-se da forma que se dirá.

PORQUANTO: Mediante a Resolução nº 218 de maio de 2009, emitida pelo ministro da Economia e Planejamento, cria-se a Unidade orçamentada Universidade de Ciências Médicas de Santiago de Cuba.

PORQUANTO: Pela Resolução nº 326, emitida pelo ministro de Saúde Pública, designou a quem subscreve Dr. Antonio José López Gutiérrez para ocupar o cargo de Reitor da Universidade de Ciências Médicas de Santiago de Cuba com quantas faculdades, direito e obrigações lhe são inerentes ao cargo que desempenha.

PORQUANTO: No exercício das faculdades que me foram conferidas.

RESOLVO: 

PRIMEIRO: Sancionar o estudante San Miguel Molina Cobos do 2º ano da carreira de Medicina da Faculdade de Medicina Nº II a Expulsão da Educação Superior prevista no Artigo 54 inciso a) do aludido corpo legal.

SEGUNDO: A presente Resolução surte efeitos legais a partir de sua notificação.

TERCEIRO: O Dr. Alberto Garcia Vidal, fica encarregado de cumprir o aqui disposto.

NOTIFIQUE-SE: Ao estudante San Miguel Molina Cobas do 2º ano da carreira de Medicina e ao Decano da Faculdade de Medicina nº II de Santiago de Cuba.

ARQUIVE-SE o original no Protocolo de Resoluções da Universidade de Ciências Médicas de Santiago de Cuba.

DADA: Na Universidade de Ciências Médicas de Santiago de Cuba, aos 15 dias do mês de outubro de 2013. “Ano 55 da Revolução”.

Dr. Antonio José Victor López Gutiérrez
Reitor da Universidade de Ciências Médicas



ÉTICA NA PESQUISA COM ANIMAIS


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O TIGRE E O COELHO

Causado pela indignação com os descalabros do governo petista, intenso debate estabeleceu-se na internet (principalmente nas redes sociais) dentro de um determinado segmento da sociedade brasileira. Formado na sua maioria por profissionais de nível superior como médicos, advogados, engenheiros e outros, o pensamento de oposição ao movimento revolucionário começa a tomar forma no país.
Isso dito, cabe observar o nascimento de uma discussão – pequena mas acalorada – sobre qual melhor forma de agir: crítica e formação de uma contra revolução cultural (como eu a chamei em artigo anterior) ou engajamento político-partidário?
Mais de uma vez mencionei a diferença entre governo e poder. Procurei deixar claro que no Brasil não há oposição ao PT pelo fato de não haver partido algum que disponha de plano de poder alternativo ao movimento revolucionário. Nesse sentido, é necessário compreender que o domínio da máquina administrativa bem como acesso à verbas de nada vale pois longe do governo o Partido dos Trabalhadores há, ainda assim, de manter-se no poder. Por “manter-se no poder” entendo eu a permanência de petistas ou simpatizantes dentro das redações dos jornais, das universidades e de todos os cargos de baixo escalão da máquina pública além do controle absoluto de todos os valores morais da sociedade brasileira.
O que está acontecendo no Brasil, ao meu ver, é uma espécie “insight coletivo”...De uma maneira dolorosa, ainda que progressiva e inevitável, as pessoas começam a entender a gravidade do erro ao afirmar que “políticos são todos iguais”. É dessa necessidade absurda de generalizar...dessa visão imediata e superficial, dessa pouca vontade de estudar e estabelecer diferenças que resulta a perplexidade de determinados segmentos – por exemplo o dos médicos – com o Partido dos Trabalhadores. Pouca dúvida deveria restar, para quem quer trabalhar contra essa gente, quanto ao melhor caminho a seguir uma vez entendido que décadas foram necessárias para que o movimento revolucionário chegasse ao poder no Brasil e que o mesmo período de tempo há de ser gasto na sua saída. Mais importante do que isso é gravar de forma definitiva que, mesmo fora do governo, pode esse tipo de gente continuar exercendo um poder esmagador sobre o país.
Uma das regras mais simples numa guerra é o conhecimento mais rigoroso possível da natureza e das capacidades do inimigo. Afirmo que o PT é inimigo de toda sociedade brasileira mas insisto que não há, por parte dela, absolutamente a menor noção do tipo de força que está enfrentando. As pessoas continuam pensando que trata-se apenas de mais um partido como todos os outros e mesmo a gigantesca maioria da “oposição” pensa de maneira semelhante.
Não há, digo eu, nesse momento a mínima chance de se fazer uma oposição séria ao PT no Brasil. Sustento que só pode alguém opor-se de forma eficaz à alguma coisa uma vez que tenha um mínimo de domínio conceitual sobre aquilo que enfrenta. Nada mais justo, portanto, do que afirmar que – longe de se estabelecer no campo moral – é no aspecto cognitivo que reside a fraqueza da gigantesca maioria das pessoas que pensa retirar o petismo do poder. Chance alguma de vitória pode ter aquele que parte de uma visão completamente distorcida do inimigo. Vejam que aqui trata-se de puro pensamento estratégico a estabelecer a prioridade da contra revolução cultural sobre a ação política. Até que as expressões “Foro de São Paulo”, “movimento revolucionário” e “comunismo” ganhem algum sentido no imaginário popular, nada há que se fazer pois todas elas até aqui nada mais passam do que apologias à “teorias da conspiração”.
Sem liberdade de entendimento, sem a clareza de percepção que só pode surgir com anos de trabalho cultural metódico, opor-se ao PT há de continuar sendo tarefa ingrata e que na sua frustração só levará ao ridículo fortalecendo, através do deboche intelectual, as chances dessa gente permanecer eternamente no poder...situação essa que lembra um doente mental que, colocado dentro de uma jaula com um tigre, insiste em enxergar pela frente nada mais do que um coelho..


Porto Alegre, 23 de outubro de 2013.

A SITUAÇÃO É PREOCUPANTE. O PERIGO EXISTE, SÓ NÃO VÊ QUEM NÃO QUER VER.


   Sabemos que a mandatária, apesar de beatificada pelo seu mestre, por pouco não fracassou nas urnas, isto contando com recursos incalculáveis e o beneplácito gritante da mídia facciosa como o “Globo”, que declarou abominar a Contra revolução de 31 de março de 1964. O novo pleito se aproxima e a dama de um só neurônio, apesar de diariamente aumentar os beneficiários de bolsas e bolsinhas, tem um desempenho tão deplorável seja na política interna como na externa, que claudica, embora a mídia de sempre, para levantar o moral da “intragável”, publique, esporadicamente, que ela vem melhorando a sua aceitação pelo populacho.
Contudo, é provável que os membros sombrios do grupo radical antevejam problemas no futuro próximo e a derrocada nas urnas do seu “besteirol ambulante” seja um fato palpável, em especial com a dupla Eduardo e Marina, que promete deslanchar na disputa eleitoral.
As tentativas de tiranizar o País via “chavismo”, emoldurado por caricatural democracia, parece que derrapa diante do “jeitinho brasileiro” que quer ganhar vantagem em tudo.
Como o populacho não é confiável...
Portanto, quando procuramos saber como as mais recatadas manifestações se transformam num festival de vandalismo, é que por detrás daquelas demonstrações acobertam - se grupos de terroristas mirins, pagos ou insuflados pelas alas mais radicais da esquerda. Assim, podemos concluir que, atualmente, ocorrem constantes treinamentos de terroristas.
Sim, caso a famigerada dama do raciocínio enviesado e incompreensível perca nas urnas, que ninguém tenha dúvidas de que a rapaziada mascarada sairá pelas ruas para demonstrar a sua indignação e o quebra - quebra será dantesco.
Isto nas cidades, pois nas áreas rurais, lá estarão o MST e os novos guerrilheiros, alguns treinados pela FARC, dos quais temos tido breves notícias, além dos formados em plagas gaúchas (Gravataí?).
De fato, se a “pústula” perder, saia de baixo, pois haverá choro e ranger de dentes, uma vez que as forças policiais e as policias militares nada farão por estarem acuadas e desmoralizadas.
Teremos a apoteose do vandalismo, será a quebra da Lei e da Ordem com pompas e circunstâncias
Quanto às Forças Armadas, estas deverão quedar - se à margem das refregas, pois não devem se intrometer onde não são chamadas.
Quanto à espúria (não prevista no art. 144 da Constituição) Força Nacional de Segurança, sem dúvida lutará, se preciso for, ao lado de seus criadores. Teremos então o golpe palaciano final para acalmar as massas desembestadas que clamam por justiça.
É provável que depois dos embates, como na Rússia de 1917, teremos um novo Brasil, o da foice e do martelo, ou melhor, da cuíca e do tamborim, pintados de vermelho, é claro. Definitivamente, o nosso futuro é o do País mais comunista dos últimos tempos.
Enfim, chegaremos à apoteose sonhada por Marx e Lênin – todos por eles, e eles por eles.
Brasília, DF, 09 de outubro de 2013.

General de Brigada Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

       


domingo, 20 de outubro de 2013

A REVOLUÇÃO BEAGLE


Em 1900, a China foi varrida por um movimento ultranacionalista que tinha como objetivo expulsar os estrangeiros do país. De caráter fortemente anticristão, o levante atacou missões, igrejas e possessões de outros países naquela nação. Seus integrantes ficaram conhecidos como os “boxers”e costumavam misturar luta política com misticismo. Acreditavam-se, por exemplo, imunes às armas de fogo uma incorporados “espíritos” capazes de lhes proteger. Esse episódio entrou para história da China como a "Revolução Boxer"
Além do fato de “boxer” ser também o nome para designar uma raça de cães, nada disso tem a ver com o que se passou no Brasil semana passada quando ativistas invadiram e destruíram um laboratório para libertar animais usados em experimentos científicos. Imagino que, como os boxers, essas pessoas estavam possuídas por certos “espíritos” capazes de torná-las imunes às consequências legais daquilo que fizeram.
Não sei como deveria eu chamar esses “espíritos”. Escolho aqui o nome de “causa maior”. Por “causa maior” entendo um princípio universal aplicável a qualquer membro da sociedade. Ativista ou não, aquilo que alguém é do ponto de vista moral deve ser medido em termos de sua posição com relação à (ou às) causa maior. Assim, se alguém não apóia a invasão e o salvamento dos cachorrinhos, não pode ser “boa gente”. Da mesmo forma, se alguma pessoa não acredita no aquecimento global, dever ser alguém que está atuando no sentido de provocar o acúmulo dos gases do efeito estufa. A discussão a ser travada repete portanto aquilo que Olavo de Carvalho chama de “guerra assimétrica” e não há – na opinião de alguém que defende uma causa maior – qualquer condição de se discutir seriamente com um opositor.
O que mais frequentemente ocorre quando a sociedade inteira se mobiliza por causa de uma notícia como a dos beagles é esquecer todo o resto. A matéria torna-se pauta do Fantástico, pessoas são entrevistadas nas ruas e reportagens mostrando cãezinhos adotados capazes de comover até Hitler vão ao ar em todos os canais. Nesse meio tempo o país esquece do mensalão, dos médicos cubanos e do incêndio de Santa Maria. Ninguém se comove com os hospitais nem com as crianças sem aula..ninguém lembra de um policial militar ferido em ação e paraplégico para sempre vivendo de uma pensão ridícula.
Pouco importa saber se é justa ou não a causa dos ativistas ou se deve ser libertada a moça que está presa na Rússia. Nada disso é “causa maior” nem vai definir o futuro de uma nação governada por uma ditadura mensaleira e amiga do narcotráfico. Digo eu que sequer devemos aceitar discutir com esses revolucionários de i-phone 5 e que a maioria não passa de pessoas ingênuas lideradas por canalhas que nada se interessam por bioética ou ecologia. Além de jamais terem estudado esses assuntos, não estudaram nenhum outro e são (querendo ou não) soldados a serviço dessa organização criminosa chamada Partido dos Trabalhadores.
Àqueles que se comovem com as imagens de cada beagle que foi “salvo” recomendo entrar numa enfermaria de pediatria de uma dessas imundícies que são os hospitais públicos do Brasil. Observem as mães dormindo em cadeiras e debruçadas sobre as camas dos filhos, reparem na quantidade de crianças acumuladas, na superlotação, nas condições de higiene e iluminação..sintam o cheiro deixado pelos serviços de limpeza terciarizados contratados de maneira fraudulenta para financiar a campanha de algum secretário da saúde e respondam se é procedente numa realidade assim pensar em “andar de bicicleta, salvar cachorros ou invadir propriedades na Rússia”.
Só existem duas explicações para o ativismo no Brasil – uma é a ingenuidade; outra é a má-fé. Cada vez menos eu acredito em ingenuidade. Má-fé é a minha opção preferida pois foi essa a característica dos líderes de todas as revoluções que conheci..Não deve ser diferente na Revolução Beagle...

PORTO ALEGRE, 20 DE OUTUBRO DE 2013.

sábado, 19 de outubro de 2013

COMO É BOM SER BEAGLE NO BRASIL


"Nós não ficamos em emergências superlotadas, não somos atendidos por veterinários cubanos e se alguém fizer maldade conosco, garotas bonitas com o rosto coberto e i-phone na mão ainda vem nos socorrer. Como é bom ser um Beagle no Brasil!"

Milton Pires

A MORAL NO BRASIL

kohlberg
Se você quer entender e não tem medo de perceber em que tipo de ambiente mental está metido nesse nosso Brasil, nada melhor do que estudar um pouco a Teoria do Desenvolvimento Moral de Lawrence Kohlberg. Enunciada pela primeira vez em 1958 e depois muito aperfeiçoada, ela mede o grau de consciência moral dos indivíduos conforme os valores que motivam as suas ações, numa escala que vai do simples reflexo de autopreservação natural até o sacrifício do ego ao primado dos valores universais.
Kohlberg, que foi professor de psicologia na Faculdade de Educação em Harvard, desenvolveu alguns testes para avaliar o desenvolvimento moral, mas os críticos responderam que isso só media a interpretação que os indivíduos testados faziam de si mesmos, não a sua motivação efetiva nas situações reais. Essa dificuldade pode ser neutralizada se em vez de testes tomarmos como ponto de partida as condutas reais, discernindo, por exclusão, as motivações que as determinaram.
Os graus admitidos por Kohlberg são seis. No mais baixo e primitivo, em que a conduta humana faz fronteira com a dos animais, a motivação principal das ações é o medo do castigo. É o estágio da “Obediência e Punição”. No segundo (“Individualismo e Intercâmbio”), o indivíduo busca conscientemente a via mais eficaz para satisfazer a seus próprios interesses e entende que às vezes a reciprocidade e a troca são vantajosas. No terceiro (“Relações Interpessoais”), os interesses imediatos cedem lugar ao desejo de captar simpatia, de ser aceito num grupo, de sentir que tem “amigos” e distinguir-se dos estranhos, dos concorrentes e inimigos. No quarto (“Manutenção da Ordem”), o indivíduo percebe que há uma ordem social acima dos grupos e empenha-se em obedecer as leis, em cumprir suas obrigações. No quinto (“Contrato Social e Direitos Individuais”), ele se torna sensível à diversidade de opiniões e entende a ordem social já não como um imperativo mecânico, mas como um acordo complexo necessário à convivência pacífica entre os divergentes, No sexto e último (“Princípios Universais”), ele busca orientar sua conduta por valores universais, mesmo quando estes entram em conflito com os seus interesses pessoais, com a vontade dos vários grupos ou com a ordem social presente.
Essas seis motivações refletem três níveis de moralidade: os dois primeiros expressam a “moralidade pré-convencional”; os dois intermediários a “moralidade convencional”, os dois últimos a “moralidade pós-convencional”.Se não atentamos para os discursos, mas para as escolhas reais que as pessoas fazem na vida, não é preciso observar muito para notar que os indivíduos que nos governam, bem como os seus porta-vozes na mídia e nas universidades, não passam do terceiro estágio, o mais baixo da moralidade convencional, em que a identidade, a coesão e a solidariedade interna do grupo prevalecem sobre a ordem social, as leis, os direitos dos adversários e quaisquer valores universais que se possa conceber (e que desde esse nível de consciência são mesmo inconcebíveis, embora nada impeça que sua linguagem seja macaqueada como camuflagem dos desejos do grupo).


Duas condutas típicas atestam-no acima de qualquer dúvida possível. De um lado, a mobilização instantânea e geral em favor dos condenados do Mensalão. O instinto de autodefesa grupal predominou aí de maneira tão ostensiva e tão pública sobre as exigências da lei e da ordem, que até pessoas identificadas ideologicamente ao partido governante se sentiram escandalizadas diante dessa conduta.


De outro lado, não havendo nenhum movimento político “de direita” que se oponha ao grupo dominante, este dirige seus ataques contra meros indivíduos e movimentos de opinião sem a menor expressão política, fingindo e depois até sentindo ver neles uma ameaça eleitoral ou o perigo de um golpe de Estado. Aí o instinto de autodefesa grupal assume as dimensões de uma fantasia persecutória que se traduz na necessidade de calar por todos os meios qualquer voz divergente, por mais débil e apolítica que seja.Também não é preciso nenhum estudo especial para mostrar que essa conduta, normal na adolescência, quando a solidariedade do grupo é uma etapa indispensável na consolidação da identidade pessoal, não é de maneira alguma aceitável em cidadãos adultos investidos de prestígio, autoridade e poder de mando. Aí ela passa a caracterizar precisamente a associação mafiosa, a solidariedade no crime.É evidente que, numa sociedade onde essa é a mentalidade do grupo dominante, os níveis superiores de consciência moral (pós-convencionais) se tornam cada vez mais abstratos e inapreensíveis, de modo que o máximo de moralidade que se concebe é o quarto grau, o apego à lei e à ordem. Os indivíduos cuja conduta evidencia essa motivação tornam-se então emblemas do que de mais alto e sublime uma sociedade moralmente degradada pode imaginar, e são quase beatificados. O ministro Joaquim Barbosa é o exemplo mais típico.Os dois graus superiores da escala são exemplificados por um número tão reduzido de pessoas, que já não têm nenhuma presença ou ação na sociedade e passam a existir apenas em versão caricatural, como fornecedores de chavões para legitimar e embelezar as condutas mais baixas. A autopreservação paranóica do grupo dominante envolve-se com freqüência na linguagem dos “direitos humanos” (quinto grau), e qualquer imbecil que tenha lido a Bíblia já sai usando a Palavra de Deus (sexto grau) como porrete para atemorizar os estranhos e impor a hegemonia do grupo “fiel” sobre os “infiéis” e “hereges”.Isso, e nada mais que isso, é a moralidade nacional.
Publicado no Diário do Comércio.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

DIA DO MÉDICO – PARABÉNS EM ESPANHOL



Nada mais justo do que dizer que, entre a depressão profunda e a alegria dos tolos, deve haver um meio-termo. Tarefa ingrata para qualquer pessoa inteligente, no caso dos médicos brasileiros ela é hoje quase impossível. Nada há que ser comemorado nesse 18 de outubro pois esse é um ano trágico para medicina do país. Escondendo a falência da rede hospitalar, as péssimas condições de trabalho, os vínculos empregatícios vergonhosos, a superlotação das unidades de atendimento, o governo petista conseguiu, no desespero pela reeleição, aprovar seu Programa Mais Médicos.
Pergunto a quem está lendo e que não é colega de profissão: o que vocês acham que devemos comemorar? Como vocês pensam que estamos nos sentindo vendo a profissão ser levada ao fundo do poço? O que pensar quando um governo não respeita os médicos do país?
É muita, mas muita hipocrisia mesmo, dizer que “a medicina é maior que tudo isso”...que o “amor a profissão tudo pode superar” quando recebendo os parabéns dentro dos hospitais os médicos brasileiros comem salgadinhos e tomam refrigerantes a alguns metros de uma sala de emergência que mais se parece com um navio transportando escravos.
Duvido que exista algum médico brasileiro, sem compromisso com o PT, que hoje possa estar feliz. Não acredito na sinceridade daqueles que se dizem gratos pelos “parabéns” recebidos de outros “profissionais” da saúde. Agoniza a nossa profissão e nada há que ser comemorado. Nosso conselho nos abandonou e nossos sindicatos são controlados pelo partido do governo. Nenhuma “entidade médica”, desse mundo ou do outro, cerra fileira conosco na indignação por termos dentro do Brasil pessoas que sequer sabemos se são médicos de verdade.
Que alegria pode ter no seu trabalho um médico que atua no SUS? Qual o prazer de não ter resultado de exames mínimos? Que mérito existe em trabalhar em hospitais com goteiras, paredes caindo e ratos nos refeitórios? Que satisfação pode alguém ter em não conseguir leito para internação quando, atendendo numa escola abandonada transformada em unidade de pronto-atendimento, precisa colocar um paciente dentro de um hospital? Como conviver com essa legião de burocratas – gente picareta mas que não conseguiu entrar para política – que chefia os médicos brasileiros nos serviços públicos?
Ora, por favor, convenhamos: nada há que ser comemorado no dia de hoje! Mensagens de e-mail com “parabéns pelo seu dia” devem ir direto para lixeira de qualquer médico com um mínimo de lucidez.
Se alguém quiser me cumprimentar não vou ficar brabo. Prometo não ser agressivo, fazer discurso político ou responder com grosseria – tudo terei obrigação de deixar passar. Afinal, onde fica o “meu juramento” não é mesmo? Peço apenas o seguinte: se fizerem alguma homenagem maior não se enganem – pelo menos cantem parabéns em espanhol..


Porto Alegre, 18 de outubro de 2013.   

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

A MORTE DA PRÓPRIA POLÍTICA.


Uma das tentações mais fortes a que pode ser submetido no Brasil um funcionário público, médico ou não, é a do “diagnóstico administrativo”. Desafio qualquer um de vocês a negar que, uma vez em contato com departamentos de recursos “humanos”, setor “pessoal”, ou qualquer coisa parecida, não tenha saído de lá furioso acusando quem atende naquela área de ser desinformado, desorganizado ou corrupto, mas procurando sempre definir tudo numa palavra só.
Afirmo eu que no Brasil nada pode ser mais enganoso: a “máquina” não funciona desse modo. O que existe é uma combinação quase perfeita de indiferença, corrupção e incompetência. Acusado, com razão ou sem de um dos defeitos, o “sistema” muda de linguagem deixando com cara de palhaço o pobre diabo que se encontra na frente do guichê.
Essa sensação que mistura raiva, impotência, e abandono vem se alastrando pela sociedade brasileira. Seus frutos são o egoísmo e a indiferença..a perda da capacidade de se comover e da caridade além de uma ânsia constante pela “normalidade” e pelo lugar comum..É nesse lugar comum que o homem sem crítica, que o cidadão vazio e “democrático” se sente acolhido pelos iguais e deixado em “paz pelo sistema”. Chefiado por alguém sem rosto, assustado por um terror sem face, esse homem-oco vaga de repartição em repartição preenchendo formulários e apresentando documentos para finalmente ser reconhecido como igual pelos “colegas” de trabalho.
Nada pode ser mais triste do que essa hiperdemocracia, do que essa ditadura dos medíocres que cria a desesperança com relação à política. Dessa sensação de que nada vai mudar surgiram os berços dos monstros...as incubadoras das serpentes...os fornos dos ditadores.
Perigosa confusão se faz quando, ao lembrar de Hitler, Mao ou Stalin pensa-se em “ditadura” pois são todos eles filhos máximos de uma noção doente de democracia. Chegaram ao poder carregados nos ombros dessa entidade fantasma, desse “ser místico”, que tudo pode e que tudo justifica: o povo. Nunca, em toda história da humanidade, depois de 1789 se matou, se prendeu e se torturou tanto quanto em nome desse conceito aberrante, dessa máxima coletividade cuja força é tão grande que esmaga qualquer indivíduo.
Dramático é perceber que tudo que se fez em nome do bem, do belo e do justo espelha-se – durante toda nossa história – na alma de poucos; não na concordância de muitos e que dessa confusão demoníaca entre verdade e consenso resulta o caos que impera na sociedade brasileira.
Em 2003 chegou ao poder no Brasil a ralé da sociedade. Não se entenda nessa definição que me refiro às pessoas sem cultura, pobres ou corruptas. Nada disso se restringe ao nosso país e pouco esclarece no sentido de apontar soluções. Por ralé quero aqui me reportar àqueles que vivem num mundo onde palavras como honra, dever e justiça não fazem sentido algum. Isso é assim não por causa de uma personalidade formada na pobreza ou psicopatias mimadas por ricos. Digo que essas pessoas não são imorais, mas amorais e que sua ascensão ao poder só poder ser entendida num contexto de crise de consciência dos melhores..num sentimento de culpa inexplicável metodicamente implantado pela mistura mágica de marxismo com a religião católica.
Nada há que se pleitear no sentido de mudar uma sociedade que não reconhece mais diferenças..no sentido de melhorar um mundo em que não se reconhecem méritos e onde sucesso deve ser motivo de vergonha. Pudéssemos nós todos entender o quão profundo é o impacto da unanimidade e haveríamos de compreender seu efeito sobre a política...sobre essa necessidade constante e inerente à condição humana de mediar conflitos entre os que são diferentes sem fazer da igualdade de pensamento uma religião.
Digo que, entre a ditadura mais cruel e a hiperdemocracia petista em que vivemos, nada de diferente pode sobreviver e que todo pensamento original há de agonizar num mundo sem espaço para filosofia e onde só impera a morte...a morte da própria política.

PORTO ALEGRE, 17 DE OUTUBRO DE 2013. 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

ENTRE O ACORDO DE 'AVILA E A RENÚNCIA DE BLEY – OS CHEFES.



Meus caros e decepcionados colegas de profissão, hoje quero dirigir algumas palavras àqueles inúmeros esquecidos e grandes responsáveis pelo dia-a-dia do funcionamento desse dinossauro chamado Sistema Único de Saúde (SUS). Refiro-me aqui a essas pequenas ratazanas...seres não tão decentes o suficiente para serem chamados de “médicos”, nem tão corruptos o necessário para entrarem de vez na política. Eu aqui escrevo para essa legião de gestores, secretários da saúde e médicos-chefes em cargo de comissão...Eu aponto nessas linhas todas as “gerências”, “núcleos”, “coordenações” e “assessorias” e invoco a presença daqueles espíritos medíocres, daquelas almas menores que, sempre chegando atrasadas ou saindo antes, habitam os hospitais, postos, ambulatórios e pronto-atendimentos desse país: vocês hoje hão de ser meu alvo!
Conhecemos todos o seu relativismo de valores..suas frases chavão e seus raciocínios hipócritas. Não há um só de vocês que não administre suas unidades com lemas como “isso sempre foi assim” ou “eu não sabia de nada”. Pressionados por algum colega a tomar decisões nas reuniões de serviço argumentam que o “importante é ficar bom para todo mundo”.. Pois bem, digo eu: vocês, seus desgraçados, são a verdadeira miséria da nossa profissão! Vocês são filiados ao PIP (Partido do Interesse Próprio) e não tem qualquer escrúpulo quando se colocam perante vocês os dilemas entre a honra de um colega e a “função gratificada” no seu contracheque.
São vocês, seus parasitas, que levaram – com seu egoísmo e indiferença – a medicina brasileira ao ponto que chegou. D'Avila não é causa mas sim consequência da passividade da nossa classe. Em cada secretário da saúde, em cada chefe de serviço há um presidente do CFM pois cada um de vocês – digo eu – não guarda um mínimo de decência nem respeito pela profissão ao aceitar intermediar a relação de trabalho de seus colegas com o governo mais podre de toda história brasileira.
Entre o acordo de D'Avila e a renúncia de Bley, está essa zona de penumbra..esse mundo de relativismo e de ânsia por parecer democrático...onde o reino da ralé, o paraíso dos medíocres acolhe de portas abertas a todos vocês..
Nenhuma receita estrangeira com superdosagem, nenhuma medida provisória ou demissão injusta de colega os comove... Suas viagens para Miami estão programadas...seus apartamentos, novos e comprados na planta, estão para ser mobiliados, seus casamentos já terminaram e novas “paixões” já surgiram...há um novo carro na concessionária para fazer o “test drive”, não há ? Tudo isso, toda essa indiferença nada mais é do que o egoísmo dos canalhas, a ambição dos astutos e a estratégia dos covardes..
Jamais, em momento algum, eu vou lhes dar paz! Não permitirei a hipocrisia de acusar os bandidos petistas como autores da ideia do “mais médicos” sem a colaboração de vocês. Conheço vocês desde os anos de faculdade ! A mim não irão enganar!
Cada vez que um de vocês ouvir falar do “acordo de D'Avila” ou da “renúncia de Bley” saibam que não são capazes da covardia do primeiro nem da coragem do segundo. Vocês são criaturas intermediárias que habitam esse mundo das sombras onde não há coragem para sair à luz nem para viver eternamente na escuridão. Vocês, seus infelizes, são os chefes...Deus me livre de chamá-los de colegas !

Porto Alegre, 16 de outubro de 2013. 

SOBRE TRAIÇÃO


terça-feira, 15 de outubro de 2013

DESLIGANDO OS ÚLTIMOS APARELHOS...


Ilmo.Sr.Presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM)
Dr.Roberto Luiz D'Ávila:

No dia 4 de outubro de 2013, a Revista Veja, através do jornalista Ricardo Setti, fez a gentileza de publicar uma carta em que eu me dirigi ao senhor. Naquela ocasião pedia, praticamente implorava, acreditando representar quase 400.000 médicos, que renunciasse ao cargo de presidente do CFM. Quando o fiz, pensava invocar conceitos como “ética” e “honra” que hoje vagam como fantasmas dentro de toda sociedade brasileira – almas penadas filhas do governo petista.
Desde a publicação da primeira carta, várias coisas aconteceram naquilo que se refere à implantação do Programa Mais Médicos. Nada mais estranho, portanto, do que o fato de escrever-lhe uma segunda carta pleiteando exatamente a mesma coisa que a primeira, não é? Pois bem: sustento que não. Apenas esclareço que minha motivação agora é outra.
Tomei conhecimento, estarrecido, do acordo que o senhor fez com pessoas como Alexandre Padilha e Rogério Carvalho. Confesso que até agora não sei bem o que escrever sobre as condições que o levaram a fazê-lo. Entendo perfeitamente sua preocupação com o advento de uma monstruosidade chamada “Fórum Nacional de Ordenação de Recursos Humanos na Saúde” e digo que havia prometido, a mim mesmo, não lhe dirigir mais a palavra através da imprensa. Hoje quebro a promessa e explico-lhe o porquê: li declarações suas afirmando que o “novo texto da emenda agradou boa parte da categoria.”Isso, Dr.Roberto, o senhor não vai fazer sem receber a devida resposta.
Quero aqui acreditar que escrevo em nome de “quase” todos os médicos brasileiros e dizer-lhe que (assim como o senhor afirma) não tenho ambição política nem represento partido algum. Há quase 14 anos minha vida como servidor público e médico da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Porto Alegre vem sendo administrativamente destruída por gente que lá entrou durante a administração do Partido dos Trabalhadores e de lá – mesmo com a mudança de governo – jamais saiu.
O senhor, Dr.Roberto, sabe que nada de novo há nesse processo de assédio moral contra os médicos . Tenho certeza que entende que eu não sou o único exemplo entre os colegas que não aceitam eufemismos para transformar nossa profissão em política. Eu nunca colaborei com os conceitos de “acolhimento”...de “multidisciplinaridade”..nem de “portas abertas” trazidos à saúde pública desde 1988 e que servem hoje para esconder a falência da rede hospitalar, a carência completa de material e recursos, além da desorganização total dos serviços.
Afirmo que o senhor, inadvertidamente, aceitou abrir mão de uma prerrogativa histórica do CFM ao permitir o exercício da profissão no Brasil por médicos registrados pelo Ministério da Saúde. Mais do que jogar fora a sua reputação pessoal, o senhor atingiu aquela que deveria ser a nossa máxima instituição. Se o fez com boas intenções; agiu com pouca inteligência. Se agiu com má intenção; não pode nos representar. De uma forma ou de outra, seu lugar – acredite-me – não é mais aí.
Nenhum vínculo tenho eu com o Deputado Ronaldo Caiado. Não voto no seu partido (aliás não voto em ninguém) mas entendo perfeitamente seu sentimento na severa crítica que lhe fez em público. Afirmo ainda que a partir de agora, cada vez que um paciente nos ofender, sempre que outro “profissional da saúde” nos desacatar, ou um diretor clínico injustamente nos punir, já não temos mais moral para reação pois acabaram-se as crenças nas denúncias e fiscalizações que tanto alardeiam os conselhos regionais.
Digo ainda que, graças ao seu ato, milhares de usuários do SUS podem ser atendidos por estrangeiros que aprenderam medicina em livros de completar e colorir. Inspirados pela decisão do CFM, inúmeros gestores, secretários da saúde e médicos em cargo de comissão Brasil afora – todos eles filiados ao PIP (partido do interesse próprio) - hão de se sentir respaldados na omissão e covardia contra os colegas que chefiam.
Como médicos sujeitos à legislação federal, todos nós continuaremos subordinados ao Conselho Fantasma que o senhor preside mas, por favor, não confunda subordinação com respeito. São duas coisas completamente diferentes que agora, graças ao seu ato, estão separadas no coração de cada colega brasileiro.
Nossa profissão, Dr.Roberto, está doente..Seu estado é crítico e ela se encontra na UTI..O senhor é o médico de plantão...e está desligando os últimos aparelhos.

PORTO ALEGRE, 15 DE OUTUBRO DE 2013.