"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Texto da Jornalista Cláudia Collucci e Resposta do Editor do Ataque Aberto.


Cláudia Colucci - Folha de S.Paulo

 ''Tá se sentindo mal? A pressão baixou? Chama um médico cubano, fdp!'. A frase por si só é de uma intolerância absurda, mas vinda de um médico, se torna ainda mais repugnante.
Ela foi postada no perfil do Facebook de um médico gaúcho, logo após a presidente Dilma Rousseff se sentir mal enquanto dava uma entrevista na tarde desta quinta (16). Entre os seguidores, muitos também médicos, aprovação total.
Eu entenderia essa grosseria no meio de uma torcida organizada. Mas não entre médicos. Ainda que as próprias entidades médicas estejam em guerra declarada contra o governo de Dilma Rousseff, por conta do programa 'Mais Médicos', baixar o nível a esse ponto é inadmissível.
As entidades deveriam prontamente se manifestar, repudiando atitudes extremistas como essa. Calar-se diante disso é um tiro no pé da categoria. É um grande desserviço à própria imagem. Falta de respeito, seja lá para com quem for, não pega bem, senhores. Podem acreditar.
Além do mais, muitos dos doutores parecem ter se esquecido do juramento que fizeram ao se tornar médicos. 'Não permitirei que considerações de religião, nacionalidade, raça, partido político, ou posição social se interponham entre o meu dever e o meu doente', diz um trecho do Juramento de Hipócrates.
Participei da cerimônia de abertura de um congresso médico nesta semana. Nas falas, nada das novidades da área e as novas perspectivas para os pacientes. Mais parecia um palanque político antiPT.
Mas existem muitos médicos éticos e sensatos. Conheço vários. A maioria coleciona críticas à saúde pública brasileira, mas respeita uma presidente democraticamente eleita. Não é assim que deveria ser?
Como disse um amigo virtual médico: 'A destruição da imagem da classe médica pelos próprios médicos nesse processo eleitoral me deixou profunda e irremediavelmente triste'. A mim também, caro colega.

MINHA RESPOSTA À JORNALISTA Cláudia Collucci - da Folha de São Paulo

Prezada Senhora, 

No que se refere à matéria acima apresentada e que leva sua assinatura peço sua licença para fazer as seguintes considerações:

1. A mensagem de texto que a senhora menciona sem citar meu nome é de minha autoria e foi originalmente postada no Grupo de Facebook "Inglourious Doctor". O grupo, apesar do nome, NÃO é um grupo exclusivo de médicos e tem atualmente mais de 15.0000 membros.

2. A administração e a responsabilidade sobre esse grupo são EXCLUSIVAMENTE minhas. O grupo foi criado para que o Partido dos Trabalhadores, em função de sua ligação com o Foro de São Paulo, seja colocado na ilegalidade. 

3. Eu jamais pedi licença, informei, comuniquei ou solicitei aprovação de qualquer "entidade médica" para fazer QUALQUER post nesse grupo de facebook. 

4. Tudo que escrevo, tanto lá quanto nesse blog, é em primeiro lugar, feito na condição de cidadão e eleitor brasileiro sendo ato de má-fé de sua parte ou de qualquer outro jornalista acreditar que eu fale ou represente os médicos do Brasil. Clara é, portanto, sua intenção de atingir todos os médicos brasileiros no texto que escreveu. 

5. Deveriam, a senhora e seu jornalzinho, lembrar que foi Ministro da Saúde um médico acusado de fraudar Diploma de Especialista em Infectologia e responsável por trazer ao Brasil como escravos os colegas de um país que vive numa Ditadura desde 1959. 

6. Não lhe cabe, na condição de jornalista, autoridade alguma para juízo de valor emitir a respeito daquilo que se discute em "congresso médico". Aliás, não entendi como se justifica sua presença num deles. 

7. Em 20 anos de formado, jamais paciente algum fez qualquer queixa contra mim por "discriminação política" nos termos do Juramento que prestei em 1994 e que a senhora, pateticamente, resolveu citar na matéria tentando, de forma ridícula, despertar conflito entre eu e meus colegas além de demonizar ainda mais uma profissão eleita pelo PT como "inimiga do povo". 

8. Mesmo "chocada" e achando que "baixei o nível" não lhe cabe função alguma no sentido de cobrar das "entidades médicas" punição contra mim no aspecto ético. Pelo contrário, já sabemos que, mesmo sem aprovar o que fiz, disse o Senhor Presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul que não existe previsão de infração no meu caso e que ele entende que me manifestei como cidadão. 

9. Deveria a senhora, no apagar das luzes do Governo Petista, entender que antes de médico, advogado, jornalista ou professor, antes de cor da pele ou conduta sexual, antes de crença em Deus ou no Aquecimento Global, todo cidadão brasileiro tem direito de manifestar-se livremente como tal na condição de eleitor e de pagador de impostos sendo que, no caso de calúnia ou difamação contra terceiros, não há previsão de agravo no código penal pelo que fiz em virtude da minha condição de médico que a senhora insiste em ressaltar. 

10. Concluo, senhora jornalista, que seu texto é mais um fruto da seara dos "jornalistas engajados com a transformação social" e a senhora é uma triste representante de uma profissão que foi totalmente aparelhada pela mais corrupta, assassina e golpista das instituições da história politica brasileira e que, com a Graça de Deus, será varrida do poder no próximo domingo 26 - O Partido dos Trabalhadores. 

Milton Pires - cidadão brasileiro. 
Casado com Maria Luisa
Pai do Paulo Antônio e da Laura
Dono do Cachorro Confúcio. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Sua mensagem será avaliada pelos Editores do Ataque Aberto. Obrigado pela sua colaboração.