"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

sábado, 28 de maio de 2016

A CULTURA ESTUPRADA


Milton Pires

A barbárie cometida no Rio de Janeiro, por ocasião do estupro de uma menina por mais de trinta homens, trouxe à mídia brasileira uma nova expressão – a “cultura do estupro”. Trata-se de um fenômeno ímpar numa sociedade em que a palavra “cultura”, quando aparece na grande imprensa, associa-se aos artigos escritos por intelectuais estrangeiros, debates sobre verbas e ministérios e, agora, finalmente no seu nível mais baixo, na calçada da amargura, ao crime de estupro.

Triste jornada da palavra cultura, triste destino, na verdade, da própria cultura brasileira que tem hoje, entre seus expoentes, filósofas que querem degolar pessoas, sambistas de cafeterias francesas e professores universitários pedófilos definindo o que é ou não é cultura no nosso país.

Escrevi outro dia, numa rede social, que não faz o menor sentido falar em “cultura do estupro”, chamei atenção para o uso político da tragédia da menina carioca num momento em que uma presidente (ou presidenta como ela gostava de ser chamada) chefe de quadrilha alega “questões de gênero” para o seu afastamento e concluí dizendo, em síntese, que culturas nasceram exatamente banindo ou criminalizando crimes como o estupro.

Não há que se falar, portanto, em “cultura do estupro” uma vez que a segunda palavra da expressão pode ser substituída por “barbárie” retirando dela todo sentido. Mais sorte, portanto, às jornalistas engajadas e às filósofas “do corpo feminino” quando importarem expressões da vida universitária americana para uso nos nossos jornais.

Não existe, nem jamais existirá algo capaz de ser identificado como “cultura da barbárie”. Tal expressão é uma antinomia e só serve às feministas histéricas e ao seu objetivo de atentar contra figura base da família brasileira – esta figura mais poderosa e perigosa que o próprio homem, este ser abjeto que toda feminista quer ver sem papel algum – a terrível “mulher tradicional”, a “mulher de casa” ou de “família”, bela, recatada e do lar, como a “maligna esposa” do “golpista” Michel Temer.

Ironicamente, a mãe de família tornou-se, para Revolução Cultural Tupiniquim, um avatar do “intelectual hegemônico” a ser combatido pelos orgânicos na teoria de Antônio Gramsci (hoje caduca e também sem sentido haja visto que neste país os orgânicos são agora hegemônicos)

De todo horror cometido no Rio de Janeiro, de todos os artigos e manifestações nas redes sociais restam ainda algumas coisas que precisam ser ditas:

1. Trinta homens estuprando uma menina é algo típico dos cenários de guerra e não há cultura alguma que sobreviva definindo atos assim como parte de suas “tradições”, “memórias”, “rituais”, “modos de viver ou de pensar” capazes de constituir, eles mesmos, uma cultura que faça história.

2. Apesar de não existir “cultura do estupro” alguma em vigor no Brasil, apesar da expressão ser mais uma macaquice importada pela esquerda com apoio de uma imprensa nojenta que faz aquilo que o Instituto Lula mandar, existe (isso sim) uma cultura do tráfico de drogas e sobre ela nada foi dito.

3. A esquerda, através de seu braço feminista histérico, promove a velha “dissonância cognitiva” (como dizem os fiéis da seita olavista) de sempre estimulando as meninas brasileiras a se comportarem como prostitutas nestas aberrações conhecidas como “bailes funks” (chegando ao ponto de dizer que o “funk é patrimônio cultural”) para depois berrar que existe “cultura do estupro” fazendo vítimas entre elas mesmas.

4. Não existe mais cultura alguma no Brasil livre da agenda esquerdista. Ser “culto” é duvidar da existência de Deus, gritar que o planeta está aquecendo, lutar pela liberação do aborto, das drogas e das ciclovias em toda parte.

Na resposta que a esquerda merece, ao falar em “cultura do estupro”, não se pode perder a oportunidade que essa gente oferece quando tenta, mais uma vez, colocar a responsabilidade em toda sociedade brasileira. A mensagem é muito simples e vai nos seguintes termos:

A “sociedade como um todo” (expressão que vocês do PT consagraram) não tem culpa nenhuma do estupro da menina carioca. Não somos responsáveis pela “cultura do estupro” mas sim por uma “cultura estuprada” - essa mesma cultura (ou falta dela) que deixou gente do nível de vocês um dia chegar ao Poder. 

Porto Alegre, 28 de maio de 2016. 

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