"O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso." (Hannah Arendt 1906-1975)

segunda-feira, 15 de maio de 2017

15 de Maio de 1492: D. João II funda o Hospital Real de Todos os Santos, em Lisboa

15 de Maio de 1492: D. João II funda o Hospital Real de Todos os Santos, em Lisboa:

Hospital Real de Todos os Santos, hoje designado por Hospital de São José, foi criado por D. João II, quando ainda príncipe herdeiro, tendo este obtido autorização da Santa Sé, a 13 de Agosto de 1479, para reunir os rendimentos de diversos pequenos hospitais de Lisboa e seu termo, a fim de construir um "grande hospital" destinado à assistência de pobres e enfermos. O monarca recorreu ainda a doações pessoais, a rendimentos de bens vinculados, de agremiações dos ofícios mecânicos e doações feitas por particulares, entre outros. Ao longo dos tempos outras fontes de rendimento foram concedidas ao hospital, nomeadamente provenientes das licenças para representação de óperas e comédias cujo direito foi atribuído ao hospital por Carta Régia, de 9 de Abril de 1603. Esta doação foi substituída em carta de padrão com salva, a 20 de Novembro de 1759, por 1.300$000 reis de esmola, pagos em quartéis pelos rendimentos da Casa da Moeda. Posteriormente a lotaria foi outro dos rendimentos do hospital. O lançamento da primeira pedra teve lugar em 15 de Maio de 1492, mas a construção só ficou concluída no reinado de D. Manuel. A sua edificação foi feita em terrenos da cerca do convento de São Domingos de Lisboa, os quais correspondem à actual Praça da Figueira. D. Manuel seguiu as instruções deixadas em testamento pelo seu antecessor, quer no que respeita à construção quer à sua organização, e, em 1504, deu-lhe regimento, no qual estabelecia o seu funcionamento, as categorias e o número de funcionários de cada uma delas: capelães, provedor, escrivão do provedor, vedor, físico, cirurgiões, almoxarife, escrivão do almoxarife, enfermeiros, ss pequenos, cozinheiro, porteiro e guarda portas, boticário, ajudantes de botica, enfermeira de mulheres, cristaleira, lavadeira, alfaiata, hospitaleiro, barbeiro e sangrador, , como empregados para servirem o provedor, atafoneiro, assadeira e forneira. O regimento estipulava ainda as obrigações e tarefas de cada um bem como os seus vencimentos. A instituição, que começou a funcionar ainda antes do edifício estar concluído, foi baptizada com o nome de Hospital Real de Todos os Santos. Em forma de cruz, com os quatro braços iguais, correspondendo o braço com o portal para o exterior, à igreja e os outros três às enfermarias, duas de homens: São Vicente e São Cosme e uma de mulheres: Santa Clara. No centro da cruz ficava o altar mor o que permitia a todos os doentes assistir aos ofícios divinos. Por trás das camas ficavam portas que permitiam retirar os mortos sem que os outros doentes disso se apercebessem. Havia também junto a cada cama armários para os doentes guardarem os seus objectos pessoais. O edifício tinha várias dependências anexas que serviam de apoio às enfermarias: botica, cozinha, despensa, lavandaria, serviços administrativos, instalações para os funcionários. D. João III mandou reparar algumas dependências e erguer outras como uma casa para doidos e uma enfermaria para convalescentes, dando ao mesmo tempo várias esmolas em dinheiro, drogas, cera, açúcar, roupas e outras. O edifício sofreu alguns danos com o incêndio que ocorreu em 1601 e ficou parcialmente destruído devido a outro incêndio, este em 1750 que atingiu a igreja e várias dependências pelo que D. José ordenou a compra de várias propriedades destinadas à sua reconstrução. Com o terramoto de 1 de Novembro de 1755 o edifício ficou completamente arruinado. Foram erguidos hospitais provisórios em São Bento e na casa dos Almadas e depois no Rossio e às Portas de Santo Antão, enquanto se faziam as adaptações necessárias no Colégio de Santo Antão, que pertencera aos jesuítas. Vinte anos depois, procedeu-se à transferência dos doentes e serviços para as novas instalações. Sob a orientação do então enfermeiro mor, Francisco Furtado de Mendonça, os habitantes de Lisboa, incluindo a nobreza da corte e as comunidades religiosas, ajudaram a transportar as macas com os doentes e feridos. O hospital passou a chamar-se Real de São José, homenagem ao monarca, mantendo-se a estrutura orgânica e funcional que tinha antes do terramoto. No século XIX a necessidade de expansão motivada pelas epidemias, o aparecimento de novas doenças, o avanço da medicina, levou à anexação de vários edifícios, alguns deles monásticos, vagos com a extinção das ordens religiosas, passando a instituição a chamar-se Hospital Real de São José e Anexos. Os relatórios apresentados ao rei pelos enfermeiros mores, nomeadamente quando tomavam posse do lugar, testemunham as dificuldades e os problemas com que a assistência se debatia. No século XIX vários regulamentos e portarias tentaram melhorar os serviços. Em 1889 pelo Ministério do Reino foi dada ordem para se proceder a obras de adaptação e melhoramento do edifício. Este processo terminou em 1898. Em 1901 o funcionamento da instituição foi completamente remodelado pelo enfermeiro mor Curry Cabral. Com a República, a estrutura aprovada em 1901 manteve-se, deixando, no entanto, o hospital de ter a designação de Real e, em 1913, a designação passou a ser a de Hospitais Civis de Lisboa, designação essa que se manteve até 1958. Neste ano, com a criação da Direcção Geral da Saúde, a designação de Hospitais Civis de Lisboa foi revogada, ficando os hospitais, cada um per si, dependentes da referida Direcção, voltando a existir o Hospital de São José. Com a criação do Ministério da Saúde, a autonomia dos Hospitais Civis de Lisboa ficou limitada tendo desaparecido completamente em 1961, com a criação da Direcção Geral dos Hospitais Civis. A organização do hospital sofreu diversas alterações. O último regulamento data de 1993. A portaria n.º 11/93 de 6 de Janeiro, do Ministério da Saúde, reconheceu que o surgimento de novas especialidades e subespecialidades e das progressivas exigências qualitativas de quem recorre aos hospitais, obriga a uma maior complexidade e diferenciação na organização hospitalar. A portaria refere também a importância de regulamentos internos. Este regulamento é assinado em 20 de Novembro de 1992 e nele se define os seus objectivos, funções e valências; estrutura dos serviços de assistência: departamentos, serviços e áreas funcionais. Posteriormente a este diploma outros foram publicados sobre diversos assuntos respeitantes aos serviços hospitalares, mas que não alteram o regulamento interno referido. Com a documentação de arquivo que constitui este fundo foram incorporados algumas revistas médicas, e monografias, na sua maioria respeitantes a doenças e evolução da medicina, à história do Hospital Real de Todos os Santos e a médicos que de algum modo se destacaram na sua profissão.
wikipedia (imagens)
Rossio, numa gravura do século XVI, com o Hospital Real de Todos os Santos à direita
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Fachada principal do Hospital Real de Todos os Santos, voltada para a praça do Rossio. Destaca-se ao cimo da escadaria a fachada manuelina da igreja do hospital. Desenho do séc. XVIII

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Rossio, numa gravura do século XVI, com o Hospital Real de Todos os Santos à direita


Painel de azulejos mostrando a fachada do Hospital Real de Todos os Santos, c. 1740


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